Francamente: Minhas leituras preferidas
Outubro 30, 2009 Nenhum comentárioAcredito, caro leitor, que esta não é a primeira vez que você (permita-me tratá-lo sem maiores cerimônias) passa os olhos por esta coluna. Não digo esta de hoje, especificamente, mas me refiro às crônicas que humildemente costumam ocupar este espaço. Exponho esta arrogante opinião porque creio que você, como eu, tem o costume de ler determinados colunistas ou cadernos, seja porque gosta, seja pelo hábito mesmo. Neste último caso, encaixam-se aqueles escribas que lemos só para discordar deles. Espero que não seja seu caso para comigo.
A seleção que fazemos do que vamos ler se deve também à montanha de informação que nos é oferecida atualmente, aliada ao corre-corre cada vez mais frenético dos nossos dias. Eu, por exemplo, proponho-me a ler três jornais por dia. Fora uma revista semanal e duas mensais, além de sites e blogs. Ler tudo isso de cabo a rabo, claro, é impossível. Então garimpo aquilo que realmente faz diferença, pelo prazer da leitura ou pela obrigação de me manter bem informado.
Não dispenso, por exemplo, a coluna do Ruy Castro, que faz uma saborosa crônica do cotidiano, com pitadas de histórias das mais interessantes, numa linguagem leve e com nuances de refinado humor. E se, desculpem a ignorância, deixo de lado os cadernos de economia, assunto que detesto, devoro as páginas esportivas. Nessa área, admiro a coragem bem fundamentada de Juca Kfouri, embora nem sempre concorde com ele. E a prosa despretensiosa e de estilo inconfundível de Xico Sá.
Outro jornalista que acompanho com a admiração de um aprendiz é Roberto Pompeu de Toledo, dono de um texto de inigualável elegância e de impressionante contundência. Também não costumo perder os artigos de Diogo Mainardi, apesar de, ou talvez por isso, às vezes, achá-lo um tantinho biruta. Assim como Ivan Lessa, de quem leio e releio cada frase na tentativa, quase sempre vã, de decifrá-las. Leio ainda, com interesse, a coluna de Fernando Gabeira, que desfila invejável cultura e notável conhecimento dos mais diversos temas.
Lamento, porém, que me sobre pouco tempo para os livros. O último que li foi um clássico, “Madame Bovary”, de Flaubert, há mais tempo do que gostaria. Mas observo, orgulhoso, que minha filha teve também despertado o gosto pela leitura, que em mim se manifestou com a “Chave do Tamanho”, de Monteiro Lobato, muitos anos atrás.
