Francamente: Ah, se cada um vivesse sua vida
Agosto 27, 2009 Nenhum comentárioMundo de contradições. Li que um casal sueco decidiu não informar a ninguém o sexo do bebê recém-nascido, para que ele (ou ela) decida o que vai querer ser. Como se fosse assim, simples desse jeito. “Olha, papai, pensando bem, acho que vou querer mesmo ser homem, sabe? Nessa nossa sociedade machista, acho que vai ser melhor pra mim”. Há, é certo, homens com alma feminina e mulheres que se veem como homens, mas isso não quer dizer que escolheram ser assim, a despeito de estarem felizes ou não nessa situação.
Por outro lado, uma psicóloga oferecia, no Rio, tratamento para gays e lésbicas interessados em se “curar” da homossexualidade. O Conselho Federal de Psicologia decidiu por uma censura pública à tal profissional, se é que pode ser chamada assim alguém que vai contra tudo aquilo que defendem seus colegas sérios.
Há uma resolução, a CFP N.º 01/99, que impede os psicólogos de colaborarem com eventos ou serviços que proponham tratamentos e cura da homossexualidade. Também proíbe que os psicólogos participem e se pronunciem em meios de comunicação de massa de modo a reforçar o preconceito social existente em relação aos homossexuais como portadores de desordem psíquica.
Difícil aceitar que, em pleno século 21, ainda exista gente com a cabeça na idade medieval. Mas há, e muita gente, infelizmente. Que o diga o jogador do São Paulo Richarlyson, perseguido pela torcida de seu próprio time porque, diz-se, é homossexual. Ele inclusive tem sido o motivo de um racha entre os torcedores. De um lado, facções organizadas que o vaiam, ou desprezam, mesmo que ele tenha excelentes atuações. De outro, os esclarecidos que não se preocupam com sua orientação sexual, mas apenas com seu desempenho em campo.
De minha parte, gostaria de ver o Richarlyson no meu Corinthians, porque o acho um bom jogador. Não me importa se ele é gay ou não, não tenho nada a ver com isso. A vida é dele e ele deve vivê-la da forma que se sinta mais feliz. Quanto aos que o vaiam, esses sim são recalcados que não sabem conviver com as diferenças, a ponto de se sentirem machos por espancar uma pessoa somente porque ela torce por outro time, por exemplo.
É como costumo dizer: se cada um vivesse apenas a sua vida, o mundo seria bem melhor.
