Sua Grana: O dinheiro não compra tudo
Julho 8, 2009 Nenhum comentárioVivi minha infância numa cidade pequena do interior do Paraná. A vida era tranquila e o sol, por respeito, nascia somente depois do cantar do galo. O ar se moldava sempre puro e fresco em nossas narinas. Não havia pressa e o tempo passava a conta-gotas, sem dar muita bola para o relógio.
De manhã, pegava a condução com todos os meus amiguinhos para ir à escola. Brincávamos, estudávamos e na hora do almoço lá estava eu de volta, com uma fome que só seria saciada com comida de mãe. E como lembro, até hoje, daquele cheirinho de feijão fresco e bife acebolado, com suco de tangerina e batata assada no forno a lenha! À tarde, ajudava nos afazeres da casa, brincava um pouco no balanço dependurado em uma mangueira e, ao anoitecer, meu pai me colocava a dormir.
Fiquei até minha adolescência nesse paraíso. Depois, fui parar na capital para estudar e me dar bem na vida. Dediquei-me aos estudos, obtive o diploma em engenharia e tempos depois consegui um bom emprego na cidade de São Paulo. Minha carreira vai de vento em popa, meu salário me permite algumas regalias que não tive no meu tempo de infância, casei-me há dois anos e já planejo filhos.
Todo esse esforço, creio, valeu a pena. Conquistei o tão sonhado sucesso profissional e financeiro. Minhas aplicações, no ritmo que vão indo, me darão a oportunidade de parar de trabalhar antes de me cansar. Porém, esses dias, refletindo sobre tudo isso que lhes contei, cheguei a uma conclusão curiosa.
O que mais gostaria que o meu dinheiro pudesse comprar é aquele cheirinho de bife acebolado, de um tempo em que a pressa não fazia sentido para mim.
