Geração antenada: Jovens de 15 a 24 anos são os que mais adotam o preservativo
Julho 3, 2009 Nenhum comentário![]()
Os jovens estão mais ligados na importância do sexo seguro do que as outras faixas etárias. Isso é o que mostra a Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas Relacionadas às DST e Aids na População Brasileira de 15 a 64 anos (PCAP), que ouviu mil pessoas em todas as regiões do Brasil no ano passado. Segundo o levantamento, o grupo entre 15 e 24 anos de idade adota mais o preservativo em todas as situações.
Na última relação sexual com parceiros casuais, por exemplo, 68% deles usaram preservativo, enquanto nos maiores de 50 anos a proporção não chega a 38%. Com parceiros fixos, 30,7% dos jovens costumam fazer uso da camisinha. Entre aqueles de 25 a 49 anos, só 16,6% adotam a mesma prática. Acima de 50 anos, o percentual cai para 10%. Isso pode ser um reflexo das campanhas dirigidas para o público e do envolvimento das escolas nas atividades de prevenção às DST (Doenças Sexualmente Transmissí-veis) e aids.
Apesar do elevado conhecimento, o estudo aponta que, depois da primeira relação sexual, o uso da camisinha cai. Passa de 61% para 50% nas relações sexuais com parceiros casuais. “Os jovens de hoje nasceram na era da aids, por isso a relação com o preservativo é mais habitual”, avalia Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde. De acordo com ela, o problema é que, quando se estabelece a confiança entre eles, o uso do preservativo deixa de ser prioridade, em especial, para as meninas.
É também nessa faixa etária que se registra o maior número de parceiros casuais. No último ano, 14,6% dos jovens tiveram mais de cinco parcerias eventuais. No mesmo período, o índice foi proporcionalmente a metade (7,2%) entre a população de 24 a 49 anos de idade. Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% tiveram pelo menos um parceiro sexual que conheceram na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.
O acesso à camisinha é mais um avanço apontado pela pesquisa. Os jovens são os que mais pegam preservativos nos serviços de saúde (37,5%). Entre aqueles que têm de 25 a 49 anos, o percentual é de 27% e, acima dos 50 anos, é de 10,7%. Além disso, existe um considerável número de jovens que retiram preservativo nas escolas (17%).
Em 2003, os ministérios da Saúde e da Educação, em parceria com escritórios das Nações Unidas, implantaram o programa Saúde e Prevenção nas Escolas, que discute prevenção das DST e aids, saúde sexual e reprodutiva. A iniciativa – presente em mais de 50 mil escolas públicas de todo o país – também disponibiliza preservativo à comunidade escolar. “O jovem está aberto, preocupado com sua saúde. E a escola é um espaço adequado para que os estudantes se conscientizem sobre a importância do uso da camisinha e a prevenção das DST”, acredita a diretora do Departamento de DST e Aids.
Homens traem mais que mulheres
Pela primeira vez, a PCAP analisou a ocorrência das relações casuais no mesmo período das relações fixas. De acordo com a pesquisa, 16% dos brasileiros traem – dos 43,9 milhões que viviam com companheiros (as), 7,1 milhões tiveram parceiros (as) eventuais, no mesmo período. São os homens os que mais traem: 21% (4,7 milhões). Já para as mulheres, esse índice é de 11% (1,8 milhão). A pesquisa analisou também o uso do preservativo nas parcerias casuais fora da relação estável. O uso nessa situação é baixo: 63% não adotaram preservativo em todas as vezes que fizeram sexo com parceiro eventual. Entre os homens, o índice é de 57% e, entre as mulheres, 75%.
