Remédio via oral requer cuidado
Junho 2, 2009 Nenhum comentário![]()
Tomar um remédio via oral parece ser um ato simples, mas existem alguns cuidados que garantem a sua eficácia e evitam os temidos efeitos colaterais, é o que informa o coordenador do curso de Farmácia do Centro Universitário de Araraquara – Uniara, prof. dr. Antonio Távora de Albuquerque Silva.
Para iniciar a discussão, o medicamento via oral é apresentado em diversas formas tecnológicas. São elas: cápsula (gelatinosa comum e gastro-resistente), comprimido (comum, revestido e efervescente), solução (líquido) e suspensão (líquido que precisa ser agitado antes de usar).
Por que existem várias formas? Só o comprimido não resolveria? De acordo com Silva, as diferentes formas existem para liberar o fármaco, o princípio ativo, no lugar certo (estômago ou intestino). “Por exemplo, às vezes um fármaco é sensível ao ácido clorídrico existente no estômago e não pode passar por lá. Então ele tem que estar numa forma farmacêutica que o proteja do estômago e libere o princípio ativo no intestino. Essas formas são a cápsula gastro-resistente e o comprimido revestido.”
Essa mesma linha de raciocínio pode ser feita no caso de o paciente romper o lacre (quebrar/danificar) os comprimidos revestidos e as cápsulas gastro-resistentes, que deixaram de proteger a substância sensível a alguma ação do organismo. Por isso, não se deve mastigar e amassar essas formas. Aliás, nenhuma forma de comprimido comum ou cápsula.
Silva explica que cada forma contém a dosagem adequada do princípio ativo e se ela for quebrada, chegará ao estômago dissolvida e pronta para ser absorvida pelo corpo de uma única vez, fazendo com que a concentração do remédio no sangue seja tão alta que possa gerar um efeito colateral. “Ao colocar um fármaco num comprimido, o objetivo é que ele seja absorvido de maneira mais lenta.”
Partir o comprimido ao meio também não é recomendável, pois o local onde foi cortado fica poroso e, a partir daí, começa a se fragmentar. “Sempre que você quebra um comprimido ou abre a cápsula, você está fazendo com que a substância fique disponível mais rápido. Isso vai gerar mais efeito colateral do que efeito benéfico.”
Amassar o medicamento ou escondê-lo na comida para enganar as crianças é um grande erro, tanto pelas consequências de partir o remédio, mas também pelo risco de alguma substância do alimento interagir com o fármaco.
Por falar em crianças, o coordenador do curso de Farmácia da Uniara enfatiza que jamais se deve reduzir pela metade um fármaco de uso adulto para uso pediátrico, a não ser quando não haja forma pediátrica e o médico prescreva, e vice-versa, dobrar a dosagem pediátrica para uso adulto.
Outra recomendação importante de Silva é não misturar dois medicamentos. “É muito comum o médico prescrever antibiótico e anti-inflamatório, e a pessoa tomar os dois juntos. Não pode. Tem que tomar separado, primeiro um e, depois de uma ou duas horas, o outro.”
Silva orienta ainda que o ideal é fazer uso dos medicamentos orais com o estômago vazio e com a ingestão de bastante água. O uso de outra bebida pode invalidar ou diminuir a absorção do fármaco.
Os cuidados devem se estender ainda sobre a data de validade. Segundo Silva, não há estudos que comprovem qual a validade das formas em solução e suspensão depois de abertas. De acordo com ele, a data de validade impressa nas embalagens dessas formas é garantida apenas enquanto fechadas.
Após fazer o tratamento, o que fazer com o medicamento restante? Poucas pessoas sabem, mas o correto é ligar para a Vigilância Sanitária Municipal, que deve buscá-lo e fazer o descarte da maneira adequada.
