Pesquisa mostra que praticantes de musculação consomem substâncias perigosas
Junho 5, 2009 Nenhum comentário![]()
Pesquisa realizada com 100 homens, maiores de 18 anos, frequentadores de 10 academias de musculação em Campinas, detectou que 68% desta população consome algum tipo de substância ergogênica – variando de suplementos alimentares a esteróides anabolizantes e estimulantes.
Constatou-se, por exemplo, que dos consumidores, 10% confirmaram o uso de anabolizantes e 9% relataram o consumo de estimulantes. O número é considerado expressivo, uma vez que ambos os produtos contêm drogas nocivas à saúde. A situação se agrava na medida em que essas substâncias são utilizadas sem a orientação de profissionais habilitados, sendo vendidas indiscriminadamente em academias e na internet.
O alerta é da nutricionista Adriana Camurça Pontes Siqueira, que defendeu tese de doutorado na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A profissional defende a implantação urgente de programas educacionais nas escolas para esclarecer, preferencialmente, crianças e jovens sobre o problema do consumo dessas substâncias, principalmente aquelas consideradas como drogas.
“Os praticantes de musculação conhecem bem os benefícios promovidos pelas substâncias ergo-gênicas, mas necessitam de mais informações sobre os riscos que elas podem trazer à saúde”, destaca a nutricionista. Na pesquisa, ela constatou que os entrevistados sabiam que suplementos de carboidratos são fontes de energia, que o uso de anabolizante e o consumo de suplementos proteicos aumentam a massa muscular e que quem consome creatina tem mais energia para se exercitar.
“Por outro lado, apenas uma pequena proporção desses indivíduos acreditava que o excesso de suplementos proteicos pode fazer mal à saúde e que sobrecarrega os rins, por exemplo”, diz.
Para Adriana Siqueira, a fiscalização deveria ser mais rigorosa. De acordo com o estudo, 10% dos consumidores adquirem os produtos nas próprias academias e outros 16% pela internet, o que pressupõe que não existe pessoal qualificado para prestar as informações adequadas.
A preocupação da nutricionista reside ainda no fato de que 39% deste contingente consumidor de substâncias ergogênicas possui curso superior completo e 17% fez pós-graduação. Outros 19% frequentam curso superior, ou seja, a maioria possui um grau de instrução elevado.
O estudo mostra também que a principal fonte de informação para a utilização das substâncias ergo-gênicas são os professores de academia e/ou personal trainning. Cerca de 20% deles utilizam o rótulo do produto para obter informações. “Deve ser levado em conta que nem sempre os rótulos mencionam todas as substâncias presentes no suplemento”.
Neste sentido, Adriana Siqueira considera que o papel destes profissionais é essencial para o controle do uso indiscriminado. “Os professores de academia e a mídia impressa e eletrônica são as principais fontes de informações sobre nutrição e saúde, e os médicos e nutricionistas, apesar de possuírem boa credibilidade, são pouco consultados sobre esses assuntos”, esclarece. Por isso, ela recomenda que esses profissionais façam o encaminhamento dos interessados no consumo a profissionais devidamente habilitados.
Jovens e homens são os maiores consumidores
O estudo confirmou maior incidência entre jovens, pois 43% estão na faixa etária entre 18 e 24 anos, sendo que a idade média foi de 27 anos. Entre os consumidores, 81% deles são solteiros e 86% não têm filhos. Eles consomem até nove tipos diferentes de ergogênicos, com uma frequência alta, pois 62% relataram utilizar as substâncias diariamente. De quatro a cinco vezes por semana, 38% dos praticantes de musculação indicaram esta freqüência, enquanto 43% atestam o uso de duas a três vezes por semana. Fora o consumo dos suplementos, 46% deles indicaram que treinam musculação cinco vezes na semana, em um tempo médio entre uma e duas horas.
Os principais suplementos consumidos são, em ordem crescente, proteína, carboidratos, ami-noácidos e creatina, sendo que há um alto índice de consumo de anabolizantes – 10% – e estimulantes, 9%.
Aumentar a massa muscular e garantir melhor perfomance esportiva foram os motivos alegados por 63% dos consumidores. Setenta e dois por cento deles afirmam que compram os produtos em lojas do segmento.
Suplementos não alertam sobre perigo nos rótulos
O uso indiscriminado de suplementos de natureza ergogênica não é recomendado para indivíduos com problemas hepáticos, renais e hipertensos. Quando usados de forma excessiva e sem orientação profissional, os produtos podem causar sobrecarga hepática e renal, desidratação, perda de cálcio e gota, além de efeitos gastrointestinais, como diarréia e edema abdominal.
“Infelizmente, essas informações não constam nos rótulos dos suplementos ergogênicos, o que representa um grande risco aos consumidores”, alerta a nutricionista Adriana Siqueira.
Já os riscos potenciais do uso de estimulantes, como a efedrina, são o aumento da pressão arterial, problemas cardíacos, distúrbios do sono, tremores, agitação, perda de coordenação motora, possibilidade de causar dependência psicológica e até mesmo risco de morte.
Os esteróides anabolizantes, por sua vez, apresentam co-mo riscos o hipogonadismo masculino, anemia refratária, edema, distrofias musculares, doenças reumáticas, aumento do risco de adquirir Aids e hepatite C e B, hipertensão arterial, aumento do colesterol LDL e diminuição do HDL, disfun-ção tiroidiana, alteração da função hepática, icterícia, adeno-carcinoma hepático, alterações do humor e sono e aumento da agressividade.
