Francamente: Jornalista, com orgulho
Junho 25, 2009 Nenhum comentárioAo receber um prêmio, um jornalista disse, ao fazer seu discurso de agradecimento, que tinha tanto orgulho de sua profissão, que ficava envaidecido quando era necessário informá-la no check-in do hotel ou num crediário. Compartilho com ele dessa honra. Tenho um prazer especial em responder “jornalista” quando a secretária do médico pergunta qual a minha profissão para colocar na ficha.
Esse orgulho não se origina no diploma que guardo em uma pasta com outros documentos. Não foi fácil consegui-lo, aliás. Exigiu minha dedicação e o dinheiro da minha família. Mas valeu a pena. Se, de fato, aprendi mais na lida diária, quebrando a cabeça, somatizando gastrites e outras “ites”, dando duro, não desvalorizo um milímetro do meu diploma. Na faculdade, aprendi a ter uma visão mais panorâmica da profissão e convivi com bons professores.
No semestre passado, ao experimentar a sensação de ser professor de um curso de jornalismo, percebi que está na hora de uma revisão do currículo. Isso deveria ser feito. Porém, constatei também que a faculdade é um filtro importante. Lá, muita gente que imaginava ter vocação para o jornalismo se dá conta de que estava errada e segue outro rumo. O que eu dizia, contudo, é que o orgulho de ser jornalista não advém do diploma, mas do fato de poder sobreviver de uma profissão que eu, pelo menos, considero especial.
A decisão do Supremo Tribunal Federal de abolir a obrigatoriedade do diploma de curso superior para exercer o jornalismo não muda esse sentimento. Mas não consigo, de forma alguma, engolir a justificativa de que, só assim, todos terão direito à plena liberdade de expressão. Expressar-se realmente deve ser um direito de todos. Mas reportar um acontecimento adequadamente exige técnica, além da prática.
Comentaristas, estes sim, não precisam ser experts em jornalismo, mas, obviamente, no assunto que se propõem a analisar. Entretanto, a missão de informar, se mal feita, pode causar enormes estragos. Vide o caso da brasileira que se disse vítima de extremistas na Suíça, que a teriam ferido com estiletes, caso noticiado sem a devida checagem dos fatos e que causou enorme constrangimento até ao presidente da República. E para refletir: o que os ministros do STF pensariam se alguém propusesse o fim da obrigatoriedade do diploma de direito para exercer a advocacia. Você contrataria um advogado sem diploma?
