Banda Gloria finalmente consegue lançar primeiro CD por uma grande gravadora

Abril 29, 2009 Nenhum comentário

Banda Gloria finalmente consegue lançar primeiro CD por uma grande gravadora

Glória lança seu primeiro Cd por uma grande gravadora

Bastante conhecida no underground, a banda Gloria está começando a sentir o gostinho dos holofotes. Os paulistanos acabam de lançar o CD “Gloria”, trabalho de estreia pela Arsenal Music, com produção de Rick Bonadio e Paulo Anhaia. Presente na cena independente há seis anos, o grupo já teve entre seus integrantes o guitarrista do NX Zero, Gee Rocha.

O primeiro single pela Arsenal é “Minha Paz”, que já vem rolando nas rádios. Mas é na internet que a banda mostra sua força. Uma das canções do novo álbum, “Vai pagar caro por me conhecer”, foi lançada no MySpace e somente no primeiro fim de semana foi ouvida mais de 36 mil vezes. O CD conta com músicas escritas por Lucas e Tavares, do Fresno, e Koala, do Hateen.
Com som pesado e alternância de vocais gritados e melódicos, o Gloria segue a linha das letras sentimentais, marca registrada da nova geração do rock brasileiro. Sobre este momento da banda, o PLUG conversou com o baterista Fil.

Vocês passaram seis anos no underground, inclusive o Gee do NX Zero esteve na banda, e agora fecharam com uma grande gravadora. Como foi essa história?
O Mi fundou a banda em 2002 e chegou um estágio em que a não havia mais pra onde ir no underground. Já tinha tocado no Brasil inteiro, com dois CDs lançados, bastante fã, site bombado, sempre trabalhamos muito com internet. O Gee não fundou a banda, ele entrou no primeiro ano e ficou até 2006, quando o NX assinou contrato com o Rick (Bonadio) e não deu pra conciliar os dois trampos. A formação mudou bastante, esta está junta há dois anos. Fui o último a entrar. Quando esta formação consolidou, é que a banda começou a ganhar um espaço legal, até pelo fato de que ficamos amigos, temos os mesmo gostos, saímos juntos todos os dias.

Como vocês foram descobertos pelo Rick Bonadio?
Passamos por duas gravadoras, com propostas reais, mas acabou não dando certo. Ia ter um show do Fresno em São Paulo e precisavam de uma banda pra abrir pra eles. Então o Lucas (vocalista do Fresno) indicou o Gloria. O Rick disse que já tinha ouvido falar da banda e correria atrás. Ele pesquisou nosso material e achou que era nossa hora. Abrimos o show, que foi pra uma seis mil pessoas. Uma semana depois, fechamos contrato e fizemos o show de estreia na Arsenal com o NX Zero.

O som do Gloria é um tanto mais pesado que o das outras bandas da nova geração, como o NX Zero, o Fresno ou o Hateen. Vocês inclusive usam dois vocais, um mais gritado e outro mais calmo, como fazem várias bandas estrangeiras. Como se deu a definição desse estilo?
Posso falar bem sobre isso porque eu era fã da banda. O Gloria sempre teve um vocal gritado e outro melódico. Isso é interessante, porque o Brasil não tem muita banda assim, a não ser com a molecada, que tem muito acesso à internet e se inspira nas bandas de fora. Nosso show era um pouco diferente, tinhas umas pirações do Mi, que gosta de bossa nova e incorporava esses elementos. O show foi mudando, mas sempre com dois vocais.

Apesar do som pesado, as letras seguem a tendência de falar de amor. Como é conciliar as duas coisas?
As letras falam de coisas que a gente passa. Mas o som é pesado até por causa do que ouvimos, das nossas influências. O Gloria nunca teve cara de banda política ou com letras mais diretas, partimos pro lado sentimental, não emo. É mais verdadeiro pra gente e a galera se identifica, se enxerga nas letras.

Você mesmo falou que a banda tem uma relação legal com a internet, algumas de suas músicas foram ouvidas no MySpace milhares vezes. Como vocês utilizam isso pra ajudar na divulgação?
Sempre usamos muito os sites de música, e também Orkut, fotolog. Hoje em dia não tem como não usar isso. Você coloca a banda no site e em uma hora o Brasil inteiro te ouviu. Mas tem que saber usar, porque a internet, ao mesmo tempo em que ajuda, pode atrapalhar demais. A gente aprendeu errando. E com a gravadora não podemos fazer o que fazíamos antes, como colocar um CD inteiro no MySpace. Hoje usamos a internet de outra forma.

Como rola a parceria com outras bandas, como Fresno e Hateen, nas composições?
A gente conhece o Koala e o pessoal do Fresno há muito tempo, quando todo mundo caminhava junto no underground. Engraçado que todas essas bandas estão na mesma gravadora, com o mesmo empresário. A gente tocava juntos em casas pra 30 pessoas e hoje nos encontramos em shows grandes. As parcerias surgiram porque tínhamos as músicas, mas não as letras. Então resolvemos convidar o Koala, o Lucas, o Tavares, porque também seria um desafio pra eles escrever letras pra um tipo de som totalmente diferente. E ficou muito legal, eles trazem outros elementos, a fusão ficou bem bacana.

Como tem sido a recepção do CD?
Em São Paulo, quando o CD chegou às lojas, tinha fila pra comprar. Pra ter uma resposta mesmo vai mais um tempinho, mas a galera que comprou na internet aprovou, entendeu a proposta, que a banda cresceu e que as músicas não podem ser iguais às outras. Foi uma evolução, é o profissionalismo.

Rola um ciúme do pessoal que curtia a banda no underground com a exposição que o Gloria conseguiu agora?
Qualquer CD que a gente lançasse, a crítica iria acontecer. Mesmo que fosse o mais pesado ou o mais leve do mundo, alguém iria reclamar. Isso é normal, é a síndrome do underground. É difícil de entender, se você faz uma música mais calma, dizem que você se vendeu.

Como está a agenda de shows?
Na verdade, desde 2002, a gente nunca parou, nunca tirou férias. Com esse contrato, a responsabilidade aumenta. Com esse CD, vamos dar início mesmo à turnê, conhecer lugares novos, tocar pra muita gente ver. Vai ser bem legal. Em Limeira, já tocamos várias vezes e com certeza vamos voltar.

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