Paralamas do Sucesso: A volta da felicidade
Março 5, 2009 Nenhum comentário![]()
Paralamas do Sucesso
Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone parecem estar felizes. Pelo menos é isso o que reflete “Brasil Afora”, novo disco d´Os Paralamas do Sucesso, bem mais alegre que seus dois ante-cessores, “Longo Caminho” (2002) e “Hoje” (2005), os primeiros lançados após o acidente sofrido por Herbert e sua mulher, em 2001, quando o cantor sofreu danos cerebrais e perdeu a companheira em uma queda de ultraleve.
Gravado em Salvador e no Rio de Janeiro, “Brasil Afora” é o primeiro disco de canções inéditas da banda em quatro anos. O álbum deixa de lado o rock mais soturno dos dois anteriores e redescobre o reggae, o ska e outros ritmos bons para a pista de dança. O CD tem a participação de Carlinhos Brown, que colabora com duas canções – “Sem Mais Adeus”, com Alair Tavares, e “Quanto ao Tempo”, com Sullivan -, e de Zé Ramalho, que divide os vocais com Herbert em “Mormaço”. Também participam o produtor Liminha e Arnaldo Antunes, com “A Lhe Esperar”.
Lançado primeiro para down-load na internet, o disco oferece para os internautas a bônus track “O Palhaço”. Ao PLUG, o baterista João Barone deu a entrevista exclusiva a seguir.
Parte do disco foi gravada em Salvador e ele tem participações de Carlinhos Brown e Zé Ramalho. Isso se deve a uma procura pela “nordestinidade”?
Não, somos amigos e fãs do Zé de longa data. O Herbert sempre mostrou sua origem, bom pa-raibano que é. Inclusive, eu e Bi somos cidadãos paraibanos honorários, homenagem que recebemos do governo estadual. O Brown é parceiro do Herbert de uma das nossas canções mais conhecidas, “Uma Brasileira”. Então, já “achamos” o nordeste faz muuuito tempo! (Risos)
“Brasil Afora” foi recebido pela crítica como a volta do Paralamas mais festeiro, mais alegre, em comparação com os últimos discos, mais soturnos. Isso reflete o atual momento da banda?
Sim, reflete de maneira sutil, pois o processo de gravação e composição das canções não buscava esse resultado. Foi acontecendo naturalmente.
Hoje é possível dizer que as feridas abertas com o acidente de Herbert estão definitivamente fechadas?
Não, nunca estarão. Talvez as feridas tenham fechado, mas as marcas não sumirão nunca. Mas conseguimos ir em frente.
O disco foi lançado primeiro na internet e quem baixá-lo tem direito até a faixa-bônus. A rede está deixando de ser inimiga pra ser uma aliada dos artistas?
Acho que nunca foi inimiga, ao menos nós consideramos assim. A internet deixou de ser um fenômeno para ser parte da vida das pessoas. É irrefreável.
Ao que consta, após a seleção das músicas que entraram em “Brasil Afora”, sobrou material suficiente para gravar um novo disco. Procede? E de onde vem tanta produtividade?
De fato, ainda temos um saldo de composições para quem sabe lançar um outro álbum num intervalo mais curto. O Herbert escreve compulsivamente novo material.
Há bandas dos anos 80 que se moldaram para conquistar novas gerações, como o Capital, e outras que se mantém na ativa mais em função dos antigos fãs, como o Titãs. Onde o Paralamas se encaixa?
Somos um misto disso, mas não deixamos esse tipo de coisa atrapalhar nossa célula interna.
Aliás, como está o fôlego da banda? Ainda há a mesma motivação que fez dos Paralamas um dos ícones do rock nacional?
Certamente que sim, e agora com o desafio de preparar um novo show para uma nova turnê.
E a turnê de “Brasil Afora”, como será?
Opressiva!
