Os Thomés lançam primeiro disco apostando na fusão do rock e do country

Março 19, 2009 Nenhum comentário

Os Thomés lançam primeiro disco apostando na fusão do rock e do country

Os Thomés fazem a fusão do country e do rock

Os irmãos Rogério e Geraldo Thomé, respectivamente de 28 e 30 anos, nasceram em Mato Grosso e têm parte da família em Goiás. São dois estados onde o sertanejo faz muito sucesso. Filhos de uma pianista, porém, os dois cresceram ouvindo também outros tipos de música. Quiseram mais e foram aprender a tocar instrumentos. Participaram de bandas de garagem e de baile, mas decidiram subir mais um degrau. Foram estudar no Musician Institute, da Califórnia, Estados Unidos.
Lá, tiveram contato mais profundo com o country e voltaram com uma ideia: misturar o ritmo rural americano com rock. Também resolveram que era o momento de trocar o estado natal, onde já eram conhecidos e costumavam abrir shows para bandas como Skank, Paralamas do Sucesso, Jota Quest, Titãs e Capital Inicial, por São Paulo. A decisão se mostrou acertada. Na capital paulista, conheceram o produtor Rick Bonadio, espécie de Midas da música brasileira. Através dele, chegaram a Eric Silver, referência mundial quando o assunto é country.
Até então, os irmãos, que se intitulam Os Thomés, tinham gravado apenas dois discos independentes desde que começaram, há 18 anos, ambos sem projeção além das fronteiras mato-grossenses. Mas em São Paulo, com a estrutura de uma gravadora, puderam realizar o que consideram o verdadeiro álbum de estreia, “Os Thomés”, que inclusive emplacou uma música na novelinha adolescente “Malhação”, da TV Globo. Felizes com as portas que vão se abrindo, Geraldo, primeira voz e guitarra, e Rogério, segunda voz e contrabaixo, conversaram com o PLUG sobre a fase que estão vivendo.

Apesar de vocês estarem na estrada desde 91, só agora estão tendo a chance de aparecer fora do Mato Grosso. Como vocês foram descobertos?
Rogério – Realmente viemos para São Paulo em busca de conquistar nosso espaço. No Mato Grosso, chegamos a abrir vários shows, tocar em eventos grandes, para 50, 60 mil pessoas. Lá, a gente já era bastante conhecido. Depois de voltarmos dos Estados Unidos, onde fomos estudar música, resolvemos vir pra São Paulo. Fizemos barzinhos junto com o apresentador Otaviano Costa, que tinha uma banda. Nosso empresário levou nosso trabalho pra Zilu, mulher do Zezé Di Camargo, e ela nos apresentou ao Rick (Bonadio), que já tinha um projeto de fazer algo inédito no Brasil, justamente a nossa proposta de country-rock.

Como surgiu essa ideia de trabalhar no estilo que vocês chamam de country-rock? Vocês inclusive se tratam como banda, e não como dupla…
Rogério – É isso mesmo. Queremos fugir desse clichê de dupla, sempre fizemos parte de bandas. Queremos passar esse diferencial, somos ins-trumentistas, nós mesmos tocamos no nosso show, somos compositores, intérpretes. A proposta é juntar o rock com o sertanejo, nossa música-raiz. E nossa maior surpresa foi termos uma música na trilha de “Malhação”, antes mesmo de lançarmos o CD. Isso prova que é um trabalho diferenciado.

De onde vem a pegada rock´n´roll da música de vocês?
Rogério – Veio de quando fomos estudar nos Estados Unidos, onde o rock e o country são muito fortes. E também de tocar em bandas de pop rock, de baile.

Como foi a experiência de ter estudado na Califórnia?
Geraldo – Fomos pra lá em 1994, era um sonho que a gente tinha de morar fora do país, conhecer uma cultura diferente, e de se especializar em técnicas diferentes. Na grade da faculdade, você tem que estudar todos os estilos, e um deles foi o country. Foi aí que nos apaixonamos por ele. Essa faculdade é considerada a segunda maior de música do mundo, tem grandes professores, foi um privilégio, um grande aprendizado.

O disco de vocês tem a participação do Eric Silver, que é bastante conhecido no meio country. Como foi essa parceria?
Geraldo – Foi uma honra, o cara é hors-concours nesse meio. Ele é de Nashville, o berço do country, e acompanha a música desde pequeno. Ele tem um conhecimento muito grande, uma experiência vasta. E o mais bacana foi que juntou a fome com a vontade de comer. Queríamos fazer essa fusão de rock e country e o Rick nos levou até o Eric, e o resultado foi positivo.

Qual é o público-alvo de vocês? Vocês acreditam que agradarão aos fãs do sertanejo mais tradicional ou estão mirando mesmo no público jovem?
Geraldo – Os dois. Aliás, todos. Acho que não existe isso de querer fazer um estereótipo, hoje quem escuta rock ouve tecno, country, sertanejo. Acho que todo mundo que gosta de uma música bem-feita vai gostar do nosso trabalho.

A exemplo do que aconteceu com o forró, o sertanejo também descobriu os universitários. Você acha que, nesse sentido, estão lançando o disco na hora certa?
Geraldo – Claro. Nada acontece por acaso. Nós nos preparamos muito para esse novo estilo, que é inédito no Brasil. Fizemos desde fonoaudiologia, técnica vocal, para nos adaptar ao mercado.

Como está a agenda de shows?
Geraldo – Estamos surpresos com a resposta tão positiva que a nossa música está tendo, ainda mais agora com a execução em “Malhação”. Os shows são fruto da galera escutando nossa música na rádio e com certeza sairemos em turnê.  

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