Professor de Web Design da Uniara fala sobre plágio dos trabalhos escolares
Fevereiro 19, 2009 Nenhum comentário![]()
O trabalho extraclasse é uma atividade comum nas escolas e universidades. A fonte de pesquisa mais utilizada na atualidade é a internet, surgida há aproximadamente 14 anos. Porém, algumas pessoas não pesquisam, copiam. O docente do curso de Web Design do Centro Universitário de Araraquara – Uniara, Dênis Zaniro, dá algumas dicas para os professores identificarem os plágios.
“A internet pode ser vista como uma grande biblioteca na qual qualquer pessoa pode encontrar apostilas, artigos, monografias, capítulos de livros e diversos outros trabalhos acadêmicos que podem ser consultados como apoio a uma pesquisa. O problema é que pela praticidade oferecida, acaba criando a possibilidade ao aluno de simplesmente copiar eletronicamente um texto que está na tela do monitor. Dessa forma, o trabalho que o aluno deveria empenhar para realizar uma pesquisa escolar acaba sendo negligenciado já que a internet permite obter resultados muito rápidos sem grande esforço. No entanto, é importante observar que desde que existem publicações – livros, jornais, revistas – sempre houve a possibilidade de cópia. A rede mundial de computadores ao alcance das pessoas apenas facilitou esse processo”, explica Zaniro.
O docente ressalta que, em muitos casos, quando um professor pede algum trabalho, uma das primeiras tarefas realizadas pelos alunos é fazer uma pesquisa em sites de busca como o Google. Os resultados obtidos normalmente listam uma ampla gama de sites relacionados ao conteúdo da busca, e o aluno, pela falta de orientação, não sabe, na maioria dos casos, distinguir sites de conteúdo confiável daqueles que são de má-qualidade.
“Nesse sentido, eu acho que o professor não deve simplesmente pedir determinado trabalho, dizer o tema e não dar nenhuma orientação. É fundamental ensinar como se faz uma pesquisa na internet, como se colocam referências bibliográficas em um trabalho e, sobretudo, discutir a questão da propriedade intelectual, procurando despertar nos alunos a vontade de fazer um trabalho, de fato.”
Em relação ao professor detectar se o trabalho é uma cópia ou não, é uma tarefa difícil. Zaniro garante que há algumas técnicas que ajudam bastante a identificação dos plágios. Uma delas é verificar se o trabalho está muito bom e não apresenta citações ou se o trabalho está muito genérico em relação ao que foi pedido. Outra alternativa é verificar se existe diferença de qualidade na escrita, de forma que haja trechos com português muito bom e outros com português muito ruim. “De qualquer forma, o método mais eficaz e usado intensamente por mim e vários outros professores consiste em escrever algumas frases inteiras ou pequenas combinações de palavras em algum site de busca, e ele apresentará resultados que contenham os termos pesquisados. A internet também é um excelente aliado na hora de se descobrir cópias”.
Além disso, existem softwares (Iparadigms, IntegriGuard e o Eve 2.2) capazes de ajudar os professores a descobrirem plágios, pois estão ligados a grandes sistemas de bancos de dados que contêm textos de muitas publicações – incluindo artigos, dissertações, teses, etc.
O funcionamento básico de tais softwares consiste em rastrear o texto submetido a eles para avaliação, palavra por palavra, e comparar pequenas combinações de palavras com os textos armazenados nos bancos de dados. À medida que o software encontrar frases inteiras (cada qual composta de seis a oito palavras) idênticas a outras frases de outro texto, ele começará a indicar um valor de probabilidade de plágio no texto em questão. Esse valor poderá ser aumentado na medida em que o software encontrar outras combinações de palavras idênticas ao longo do texto.
Zaniro enfatiza que o plágio – seja de trabalhos da internet ou de quaisquer outras publicações – não é crime, mas é uma violação ao direito autoral. O aluno que comete plágio está sujeito a uma indenização por dano patrimonial e também por dano moral, por uso indevido da obra. Nem o professor nem a universidade podem entrar com uma ação contra o aluno, mas apenas o dono da obra.
