Leandro Lehart, ex-Art Popular, lança seu 1º trabalho ao vivo
Fevereiro 19, 2009 Nenhum comentário![]()
Leandro Lehart liderou um dos grupos de pagode de maior projeção dos anos 90, o Art Popular, numa época em que uma nova geração de sambistas deu ânimo ao estilo, principalmente com canções românticas. Mas, já naquele tempo, Leandro se mostrava um compositor diferenciado. Era capaz de emplacar hits como “Pimpolho” e “Amarelinha”, para alegria da criançada, e “Fricote”, sucesso com João Paulo e Daniel, misturando o samba com vários outros ritmos.
No entanto, chegou uma hora em que Leandro precisava de mais espaço do que o Art Popular poderia lhe dar. Do alto de suas mais de 300 composições, lançou-se então numa carreira-solo, que já havia lhe rendido quatro discos, quando decidiu que chegara o momento de registrar um show em disco e DVD. Bem ao seu estilo, escolheu como palco do espetáculo uma casa na periferia de São Paulo, com capacidade para oito mil pessoas, onde fez ampla reforma.
Para acompanhá-lo, convidou amigos de longa data e outros mais recentes. Na lista, estão ícones do samba, como Alcione, Jorge Aragão e a velha guarda da Vai-Vai, o engajado MV Bill, o folclórico Jair Rodrigues, sucessos mais atuais como a banda de reggae Planta e Raiz e Seu Jorge e até o cantor de hip hop sul-africano MXO.
A mistura dessa gente toda resultou em “SambaPopBrasilMestiço”, sobre o qual Leandro falou com exclusividade ao PLUG.
Como surgiu a ideia de fazer esse trabalho ao vivo?
É meu primeiro CD e também DVD ao vivo. Coloquei meus sucessos desde a época do Art Popular até os dos discos solo. Era um sonho gravar um disco que me desse orgulho por ser uma coisa bem feita, bem trabalhada, com os convidados que tive. Está muito legal, foi bem aceito, tem boas vendas. Estou bem feliz, até por ter sido vocalista de uma banda de sucesso e ter tido que começar do zero. O pagode e o samba são sempre ligados a um grupo e é difícil uma carreira solo. Além disso, sou um cara seletivo, não gosto de ir a qualquer tipo de programa, mas tenho o respeito da imprensa. Então vou fazendo as coisas de maneira mais discreta, mas estou muito feliz com o resultado.
Num estilo em que o grupo sempre sobressai, é realmente mais difícil emplacar trabalhos solos?
É tudo mais difícil pra qualquer líder que saia de uma banda que fez muito sucesso. O Tony Garrido vai sentir esse problema com a saída do Cidade Negra. Até o Arnaldo Antunes, que saiu há muito tempo dos Titãs, sente isso. Mas estou preparado, sou autossuficiente, as músicas são minhas, eu faço, produzo, desde o primeiro disco do Art Popular. Nesse sentido, estou bem à vontade nesse processo de transição.
Qual seu critério para escolher quem faria as participações especiais?
Alcione e Jorge Aragão já gravaram músicas minhas e foram essas que cantaram comigo. O Planta e Raiz e o Seu Jorge conheci há pouco tempo. Com o Planta fiz algumas coisas. As periferias das grandes cidades ouvem o reggae e o samba como trilha sonora. Sempre gostei muito do trabalho do Seu Jorge, que é muito criativo e também autossuficiente. Ele mostrou uma música que fez com o Arlindo Cruz, fiquei encantado com o samba e gravei. Assim fui conhecendo as pessoas, e quando chegou o momento de gravar estava tudo pronto. Ficou um trabalho super-bonito, que envolveu mais de 150 profissionais. Vou lançá-lo em mais de 10 países da Europa. É a consolidação de uma carreira.
Pra escolher o repertório, você teve muitas opções, já que tem inúmeras composições. No disco, você optou pela mistura de músicas mais divertidas, da época do Art Popular, com outras mais românticas. Como foi feita essa seleção?
Há músicas que me perseguem, que tenho que cantar em qualquer show pelo Brasil. Mas mesmo “Pimpolho”, que tem uma letra meio babaca, trouxe uma sonoridade diferente pra época, que é a mistura do samba com o rag-ga, uma música jamaicana, e que muitos fizeram depois. A mesma coisa aconteceu com “Fricote”, com João Paulo e Daniel. Antes dela, a música sertaneja era só romântica, depois muitos outros gravaram músicas mais alegres, misturando samba com viola. Então, pelo menos pra esse DVD, foram mais importantes as músicas que mudaram alguma coisa.
Por que você escolheu São Paulo pra gravar esse material?
Na verdade, não foi São Paulo que escolhi, mas a Cohab de Itaquera. Fui sempre a lugares carentes do Brasil, muitas vezes sem banda, pra prestigiar as bandas locais. A Cohab de Itaquera tem mais de um milhão de habitantes, é quase uma cidade paralela, e eles nunca tinham visto um show desse porte. Meus convidados acharam até mais legal fazer lá. Transformei uma casa de shows lá totalmente pra esse show. Foi uma forma de presentear essas pessoas.
Ainda existe preconceito contra o samba paulista?
Não tem mais isso, a linguagem do samba virou universal. Rodando o Brasil, descobri que o samba é meio mais barato de se fazer música. O cavaquinho, o pandeiro, o tantã são baratos. E você aprende instintivamente, não precisa de escola. Centenas de milhares de jovens aprendem o samba sozinhos e ele vira um meio de ascensão social pra algumas pessoas. Nos mais diversos lugares, seja no interior de São Paulo ou em Porto Alegre, os jovens vivem os mesmos dramas, e o samba tem também esse papel social.
Você sairá em turnê com o show do DVD?
A minha vontade é continuar visitando os lugares mais distantes, cantar os meus sucessos, as músicas novas, e quem sabe, se as vendas continuarem sendo boas como estão, celebrar um disco de ouro fazendo algumas capitais com o show do modo que ele foi concebido.
O interior de São Paulo está nesse roteiro?
Claro. Limeira, como uma cidade grande, tem que fazer parte do nosso itinerário.
