Formador de jogadores de basquete, Nosso Clube de Limeira une esporte e trabalho social

Fevereiro 27, 2009 Nenhum comentário

Formador de jogadores de basquete, Nosso Clube de Limeira une esporte e trabalho social

Murilo e Henrique, da Seleção sub-16, estão longe das famílias, mas dizem que vale a pena

Murilo Nocetti Veloso tem apenas 15 anos, mas deixou sua família em Santos para vir morar em Limeira. O mesmo fez Henrique Coelho, da mesma idade, que se mudou de Uberlândia para cá. Ambos foram atraídos por um sonho em comum: tornar-se jogador profissional de basquete. Destaques nas equipes de suas cidades, receberam convite para treinar no Nosso Clube, um dos maiores formadores de jogadores de basquete do país, e não tiveram dúvida. Arrumaram as malas e passaram a morar, junto com atletas de outras cidades que também fazem parte das equipes do clube, numa república.
Murilo e Henrique estão nos planos do técnico Raul Togni Filho, da Seleção Brasileira sub-16, para a Copa América, que acontecerá em junho, na Argentina. Neste mês, eles participaram da primeira etapa dos treinamentos, em Poços de Caldas. Na competição, vão lutar para colocar o Brasil entre os quatro primeiros colocados, que garantem vagas para o Mundial sub-17 do ano que vem.
Será mais um desafio para o lateral Murilo, 1,95m de altura, cestinha dos três últimos campeonatos paulistas de sua categoria, e para o armador Henrique, 1,85m, presença constante na Seleção Mineira de sua faixa etária. Mas é em Limeira, acreditam, que encontrarão o trampolim que os levará para voos mais altos, talvez uma NBA ou um clube europeu, desejo de 10 entre 10 jovens basqueteiros. “É difícil ficar longe da família”, admite Henrique. “Só dá pra visitar de vez em quando, se não temos jogos”, completa Murilo.
Mas os dois são unânimes em afirmar: o sacrifício vale a pena. A rotina da dupla, assim como de outros jogadores que vieram de fora tentar a sorte no Nosso Clube, é puxada. Eles moram na república mantida pelo clube, onde encontram acomodações e alimentação adequadas. Em compensação, têm que frequentar a escola, pela manhã. Contam inclusive com bolsas de estudo integrais, oferecidas por um dos parceiros do basquete nossoclubino, o Colégio COC Acadêmico.
Após o almoço, treinam durante toda a tarde. A noite deve ser reservada para os estudos. “É um esforço que a gente tem que fazer”, diz Murilo. “Tem que gostar muito de basquete”, concorda Henrique. De longe, os pais procuram monitorar a vida dos jovens jogadores. “Mãe é mãe”, brinca o armador. “Ela quer saber como estou, se tem farmácia perto…”.
O mineiro teve que deixar também a namorada e a saudade sempre bate. Mas a acolhida que tiveram em Limeira vem compensando as dificuldades. Eles já estão enturmados no Nosso Clube, onde, como sócio-atletas, podem usufruir de todas as dependências e eventos. Aliás, o mesmo vale para os integrantes de todas as equipes do clube, independentemente da modalidade. É um reconhecimento da agremiação ao esforço dos atletas.
Jogadores como Murilo e Henrique, explica o técnico João Wagner Gardenal de Camargo, o po-pular Camargo, são escolhidos pelo seu potencial. Ex-jogador da Seleção Brasileira, do Corinthians e de outras grandes equipes, o treinador tem faro para jovens talentos. Mas sua preocupação não é apenas com as competições. “Queremos formar não só atletas, mas homens”, afirma. Até porque o funil é estreito e só os melhores conseguem realmente chegar a uma equipe profissional.
Contudo, a dedicação ao esporte mantém os jovens afastados de caminhos prejudiciais. “Trabalhamos com garotos que estão numa idade em que é perigoso ficar na rua. O esporte nos ajuda a mantê-los longe de drogas, por exemplo”, diz Camargo. Por isso, acredita o técnico, famílias de cidades distantes têm plena confiança de que seus filhos estão em boas mãos no Nosso Clube. “As famílias dos atletas de basquete, em geral, são mais es-truturadas que as de muitos jogadores de futebol, e elas não deixam que se metam em qualquer aventura”.
Técnico das equipes das categorias menores, Jece Leite vê, há 20 anos, garotos passarem pelas quadras de basquete do Nosso Clube. A grande maioria fica mesmo só na escolinha. Os que realmente tomam gosto pelo basquete e mostram potencial sobem para as equipes de competição. “A escolinha tem o objetivo de apresentar o esporte às crianças”, explica Jece. “Muitas passam por várias modalidades, o que é bom para aumentar o repertório motor”.
Se é só uma parcela que segue no basquete mais competitivo, menor número ainda tem a disposição de se dedicar realmente a ponto de se tornar profissional. “Muitos jovens preferem, por exemplo, seguir uma faculdade e acabam deixando o basquete”, conta Jece. Mas o técnico acredita que os ensinamentos que aprenderam nos anos dedicados ao esporte serão levados para a vida toda.
“Essa integração que o Nosso Clube possibilita, de os sócios-atletas frequentarem o clube, é muito importante para eles, uma oportunidade que não teriam fora daqui”, exemplifica. Oportunidade que Abnadabe Ramos, de 12 anos, não pretende deixar escapar. Com 1,74m de altura, ele vem despontando na categoria míni. Pivô da equipe campeã do Interior do ano passado, Abnadabe chegou ao clube há dois anos, seguindo os passos do irmão mais velho.
Hoje, ele usufrui do Nosso Clube como qualquer outro associado e mantém vivo seu sonho de ser jogador de basquete. “Quero me desenvolver como jogador para chegar numa equipe profissional”, avisa. Quem o viu em ação, não duvida que ele tem tudo para ser mais um talento revelado pelo basquete nossoclubino.

Sem parceiros, seria impossível

Agremiação de enorme tradição no basquete brasileiro, o Nosso Clube já teve equipe na divisão de elite da modalidade. Nos últimos anos, porém, vem se dedicando exclusivamente à sua vocação de formadora de talentos. Entre eles, estão nomes como Nezinho e Fúlvio, só para ficar em dois exemplos com recentes passagens pela Seleção Brasileira. Entre a escolinha e as equipes, o clube conta com cerca de 160 garotos, orientados por três treinadores.
Os atletas estão divididos em seis categorias, em equipes que costumam brigar pelos títulos da Federação Paulista de Basquete (FPB) e da Associação Regional de Basquete (ARB). Para manter toda essa estrutura, que inclui moradia e bolsas de estudo para os jogadores de outras cidades, além das constantes viagens, o clube conta com o apoio de parceiros, diz o diretor de Esportes, Luís Ângelo Dalla Costa Ziani.
Medical, COC Acadêmico, Café Kühl, Winner e a Secretaria Municipal de Esportes são os patrocinadores do basquete nossoclubino. Além deles, há vários parceiros que apóiam as equipes em troca de espaços publicitários no ginásio onde os times mandam seus jogos. “Sem esses parceiros, seria impossível mantermos toda a estrutura de que precisamos para o nosso basquete continuar sendo esse celeiro de atletas”, atesta Luís Ângelo.

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