Especialistas orientam sobre a escolha da faculdade
Fevereiro 12, 2009 Nenhum comentário![]()
Candidatos se matriculam em universidade pública nesta semana
Esta época é de decisão para muitos estudantes que passaram em mais de um vestibular e têm que optar por uma ou outra faculdade. Terminadas as matrículas para os aprovados em primeira chamada em processos seletivos importantes, é hora de quem passou em escolhas alternativas também resolver que rumo tomar. Quem entrou numa USP (Universidade de São Paulo) ou Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que matricularam seus aprovados nos últimos dias, por exemplo, não costuma titubear antes de começar a frequentar o curso que escolheu.
Mas e quem passou na carreira cravada como segunda opção ou numa faculdade particular que não é exatamente a qual sonhava, como deve agir? Esperar mais um ano e tentar novamente? Ou encarar outra alternativa? Depende, dizem especialistas, lembrando que o ideal é se munir de muitas informações sobre o curso e a faculdade onde pretende se matricular. “Se o vestibulando passou na segunda opção e ela é tão importante quanto a primeira, tudo bem em ficar com ela. Porém, se só foi uma segunda opção oferecida pela instituição, mas não desejada, vale a pena correr atrás do objetivo e não se iludir com aquilo que parece mais fácil”, opina o psicólogo Herivelto Zucaratto.
Opinião semelhante tem Daniela Migliorini, coordenadora pedagógica do curso pré-vestibular Oficina do Estudante, de Campinas. “Se o curso é da mesma área e tem muitos pontos de contato com o curso da primeira opção, talvez compense fazer a matrícula no curso da segunda opção. Por outro lado, se o curso da segunda opção é de outra área e tem poucos pontos de contato com o curso prioritário, talvez compense se preparar para prestar o exame vestibular novamente”, diz.
Mas, seja qual for a faculdade em questão, é importante observar pontos básicos que se traduzem em confiança de que oferece bons cursos. É preciso observar a grade curricular do curso, por exemplo. Grades com maior quantidade de laboratórios tendem a proporcionar uma formação mais prática e menos teórica. Também é importante se informar sobre a quantidade de professores por aluno. “Em geral, as melhores universidades são as que apresentam maior número de docentes por estudante, o que permite uma formação mais individualizada e, por conseguinte, mais consistente”, afirma Daniela.
Também é aconselhável verificar se a instituição conta com bons laboratórios e bibliotecas e a titulação dos professores. Universidades com maior número de mestres e doutores apresentam maior vocação para pesquisa e, portanto, tendem a oferecer a melhor formação acadêmica.
PÚBLICAS x PARTICULARES
Se as dúvidas recaem sobre escolher entre uma faculdade pública e uma particular, desde que ambas gozem de bons conceitos, há também variáveis a serem levadas em conta. “Depende principalmente da condição econômica da família. Às vezes, financeiramente falando, é mais viável cursar uma faculdade particular próxima de casa, porque não haverá gastos com moradia e alimentação. Mas, se a família tiver condições de arcar com as despesas de um aluno fora de casa, neste caso a escolha é querer ou não morar fora”, analisa Ana Terezinha Carneiro Naleto, diretora do colégio COC Acadêmico, de Limeira, e ex-secretária municipal de Educação e ex-diretora regional de Ensino. “É uma escolha particular, de acordo com o perfil do aluno, já que ambas contam com boa reputação”.
Daniela Migliorini coloca em discussão outros pontos. “Em geral, as universidades públicas têm maior vocação para a pesquisa e apresentam índices maiores de professores com mestrado e doutorado. Já as universidades particulares sérias, tradicionais, tendem a formar ótimos profissionais para o mercado de trabalho, oferecendo menores possibilidades para a continuidade de uma carreira acadêmica, como pesquisador, por exemplo. Assim, nesse caso, o estudante deve levar em conta qual tipo de profissional ele pretende ser”, pondera.
MORAR LONGE x MORAR PERTO
Na hora de escolher a faculdade, também é preciso considerar se o estudante pretende morar longe da família. Para o psicólogo Herivelto, nessa questão é necessário analisar caso a caso. “Há estudantes que preferem um curso bem longe para aproveitar para quebrar o controle dos pais e se sentirem livres naquilo em que se sentiam cerceados. Há outros que os pais controlam argumentando com os custos. E também existem estudantes que preferem ficar por perto, se sentem mais seguros, não querem perder o conforto de casa e terem que dar conta por si mesmos de suas necessidades”, explica.
PARTICIPAÇÃO DOS PAIS
Os pais, aliás, têm participação importante no momento da decisão dos filhos, mas é fundamental que saibam auxiliá-los nas escolhas sem exercer pressão. “O diálogo é muito importante”, atesta Herivelto. “Os pais devem auxiliar nas decisões, mas sem impor este ou aquele curso, esta ou aquela faculdade. Nesta fase, os filhos precisam se responsabilizar por suas escolhas”. “Os pais conhecem o emocional do filho e, então, podem sim orientar e dar apoio na decisão a ser tomada”, completa Ana Terezinha.
E, além dos pais, é sempre bom ter a opinião de professores e alunos que já cursam a faculdade na qual se pretende estudar. “Quanto maior a quantidade de informações que os estudantes puderem recolher sobre as instituições de ensino nas quais eles foram aprovados, mais consistente e consciente tende a ser a escolha. Assim, sem dúvida que informações colhidas junto a professores e alunos da instituição são muito importantes. Mas o aluno aprovado não deve se deixar influenciar na escolha, ele é que deve ter a última e definitiva decisão”, diz Daniela, da Oficina do Estudante.
“Há ainda profissionais especializados, como psicólogos, que desenvolvem um trabalho específico com o aluno para ajudá-lo a decidir”, lembra Ana Terezinha. “Além disso, é muito importante conhecer a profissão escolhida, conversar com profissionais da área, porque à vezes o aluno idealiza e, na prática, não era realmente aquilo que queria”.
