Mente Sadia: Salivar
Outubro 9, 2008 Nenhum comentárioO quanto atos naturais e espontâneos – e por que não dizer, “essenciais”? – vão perdendo sua função? Atento ao dentro e fora, dia desses pensei: que alimentos levo à boca, e, mesmo antes de senti-los, ocorre um aumento importante na salivação? Quais os sabores, cores e paladares que provocam o sistema a ponto de fazê-lo alterar sua rotina para entrar em ação com o que está chegando?
Você que está lendo esta coluna, neste momento, poderia se perguntar: mas que importância isto tem? E eu já me adianto a responder: muita, pois no corre-corre do dia-a-dia (e não é por acaso: corre-corre, dia-a-dia), parece que tudo vai ficando emendado. Por isso, vamos nos automatizando, passando a fazer coisas sem nenhum envol-vimento com elas, vamos deixando de sentir o que é para ser sentido, vamos deixando de pensar o que deve ser pensado; ocorrências que estão diretamente ligadas a nossa saúde física e mental.
Ao agirmos automaticamente, vamos nos distanciando de nós mesmos e nos aproximando do vazio, da ausência de sentidos. Vamos deixando de salivar, de lacrimejar, de suar e exalar o próprio cheiro. Sentimos o cheiro do outro e nos incomodamos com o que chamamos falta de higiene, ao passo que não sabemos mais que cheiro temos, pois não o sentimos. Estamos conos-co, mas distantes de nós mesmos ao mesmo tempo. Mas e aí, o que fazer? O retorno ao sagrado, ao corpo, à mente, aos instintos, aos sonhos e desejos.
Administrar o tempo é uma boa dica para quem tem muitos afazeres, ou mesmo para aqueles que têm tempo de sobra, mas estão enfarados pelo tédio, pela mesmice, pelo vazio existencial – e por vezes nem se dão conta disso, acham que é normal não ter vontade para nada.
Vamos dividir assim o tempo: nas 24 horas que temos por dia, 8 horas para descanso, oito para trabalho e oito para lazer – não está de bom tamanho? Então adapte os tempos, mas não deixe de ter pelo menos estes três ingredientes em boa dose para haver equilíbrio.
O salivar pode ser o real ou uma metáfora para outros atos da vida, em que se faz necessário perceber se são do agrado do corpo e da alma tais e quais “produtos”. Se não o forem, caia fora, traga para si o que for agradável, prazeroso, gostoso (ao paladar, aos olhos e ouvidos); faça escolhas, não ficando a mercê das escolhas dos outros.
Tenha prazer, prazer é fonte de saúde e bem-estar, e pode estar bem mais perto do que você imagina.
