francamente: Duas faces da moeda da vida
Outubro 23, 2008 Nenhum comentárioMallu e Eloá, quase a mesma idade, destinos tão diferentes. Quem pode entender os descaminhos desta vida terrena? Sobre Mallu, o leitor pode saber um pouco mais na matéria aqui ao lado. Menina de família bem estruturada de São Paulo, surgiu como um fenômeno musical. Foi tudo muito de repente, para surpresa dela e de sua família, que não esperava produzir uma artista. A coisa começou como uma brincadeira quando ela resolveu colocar num site três músicas que havia composto e gravado.
Isso foi em janeiro. Eram músicas tranqüilas, com letras em inglês que refletem o espírito de uma menina de 16 anos, bem humorada, apesar de certa timidez que transparece. Ela as compôs com seu violão, que aprendeu a tocar vendo o pai, engenheiro, dedilhar sem compromisso, em casa. Para que a filha dormisse, cantava “Leãozinho”, de Caetano Veloso. Em homenagem ao pai, Mallu ilustrou a capa de seu CD de estréia, em vias de ser lançado com status de superprodução, com um singelo leão em traços infantis.
Entre colocar suas músicas na internet e se apresentar em praticamente todas as capitais brasileiras, Mallu viu se passarem somente nove meses. Por que, das milhares de pessoas que tentam a sorte no mundo da música, anos a fio, foi ela a conseguir se destacar com tanta pressa? Se talento ajuda bastante, não é tudo, todos sabem.
Do outro lado do destino, tal-vez vendo tudo de cima agora, estava Eloá, 15 anos, que se tornou famosa também. Mas se a fama faz a alegria de Mallu hoje, para Eloá chegou acompanhada da morte. Durante mais de quatro dias, ela permaneceu refém de um ex-namorado, em sua própria casa, num bairro de baixa renda de Santo André. Seu drama foi acompanhado ao vivo, dia e noite, pelos brasileiros.
Na última vez que se viu, via imprensa, Eloá com vida, ela aparece na janela, pedindo calma aos policiais. Seu trágico destino, porém, já estava traçado. Possuído sabe-se lá por qual força maligna, o ex-namorado, que todos reputavam como boa pessoa, desferiu-lhe um tiro mortal na cabeça. Imagino que Mallu, assim como todos nós, ficou consternada ao assistir o desfecho que a vida reservou a Eloá.
E também assim como nós, ela nada pode fazer a não ser lamentar e seguir seu caminho. Eloá também o fará, seja em outra dimensão, seja através de seus órgãos que salvaram várias outras vidas. Mallu e Eloá, duas faces desta moeda chamada vida.
