Mente Sadia: Escravos do Medo
Setembro 18, 2008 Nenhum comentárioNo processo educacional, muitas vezes a coibição de comportamentos entendidos como inadequados se dá através do medo imposto.
Hoje muito menos, se compararmos ao passado, se usa do medo do homem do saco, do bicho papão, do Deus vai castigar e outros para pôr limites. Contudo, por falta de instrumentos mais adequados (a firmeza do adulto), o que temos são crianças e adolescentes achando que podem tudo.
Mas, neste momento, o que estaremos discutindo não é a falta de limites e conseqüentemente os problemas sociais e o desrespeito por si mesmo e pelo outro. Estaremos abordando o bloqueio no desenvolvimento ocasionado pelo medo.
O medo é uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo pode nos proteger segurando os atos impulsivos (inconscientes) e noutras, impedir que a coragem determine a adequação e crie as condições para o crescimento e a satisfação.
Desde pequenos, é comum termos períodos de medo, acordarmos assustados de um sonho terrível que nos deixa com o coração disparado. Isto, vez por outra, pode acontecer durante toda a vida. Mas também não é desse medo que quero comentar, esse é pontual, por isto ou aquilo, conseguimos identificar o “monstro”.
Quero falar do medo sorrateiro, invisível, aquele que nem nos damos conta da sua existência, mas fica ali, presente, escondidinho, atrapalhando o nosso crescimento pessoal e profissional. Este talvez seja o pior deles, porque às vezes nem sabemos que ele existe, damos uma porção de desculpas e justificativas para o que não conseguimos; enganamos os outros e a nós mesmos.
Mas é ele, o medo que carregamos dentro de nós, o principal motivo, não são os outros, as faltas de oportunidades, o que vão dizer se fizermos isto ou aquilo; é ele, o medo que temos de fazer o que desejamos fazer que nos impede de realizarmos, de prosperarmos, de sermos felizes.
Então, como substituto ao prazer de nos sentirmos realizados, vivemos uma pseudo-alegria, adquirindo os produtos que dizem serem importantes termos (mesmo que não os usemos) e vamos seguindo como mais um boi no meio da boiada, sem sabermos de fato para onde estamos indo. Se individualizar, sair do meio da boiada é um ato de coragem, um processo difícil e doloroso, por isso nos acomodamos no faz-de-conta. Se individualizar é ser esquisito, estranho, maluco para os outros (invejosos, que não possuem a mesma coragem) e querem nos desestabilizar para que voltemos a fazer parte da manada.
