Francamente: Manifesto pelo nosso produto
Setembro 4, 2008 Nenhum comentárioA revista “Vogue Brasil” publicou uma matéria com a modelo Ana Cláudia Michels. Desculpe a ignorância, mas até ontem eu não sabia de quem se tratava a moça. Só fui me interessar pelo assunto depois que vi a foto de divulgação, dessas encaminhadas à imprensa, estampada num jornal. Sem sacanagem, achei que a foto faria alusão a algo ligado à anorexia. Não era.
Pelo contrário. A publicação informava que Ana Cláudia havia sido convidada pela tal revista, que também desconheço, para contar o que fazia para ter seu corpo considerado o mais bonito do São Paulo Fashion Week, em junho. Ela dizia que havia “remodelado” a silhueta após treinamento com um perso-nal trainer, que lhe impôs duas horas diárias de exercício, seis vezes por semana.
Todo esse esforço fez com que seu corpo, de 1,80 metro, não pesasse mais que 62 quilos. Ou seja, havia emagrecido seis quilos desde a última temporada. Imaginei que os seis quilinhos a mais não lhe fariam nada mal. Pelo contrário, iriam lhe emprestar bem-vindas curvas, mas ainda assim poucas para o meu gosto. Porém, a modelo preferiu manter uma espartana dieta, à base de pão integral e saladas.
Ainda impressionado pela anoréxica foto – não podia acreditar no culto a um corpo tão magrelo – decidi dar uma sapeada no Google. Confirmei que a moça realmente havia sido a sensação do SPFW. Participou de nada menos que 16 desfiles. Sem contar os outros 14 no Fashion Rio. E constatei que todos realmente comentaram sobre a maravilha que é seu corpo.
Está certo que houve algumas diferenças nas suas medidas de um site para o outro. Alguns lhe roubaram ainda mais quilos, dando-lhe não mais que 58. Eu, que tenho mais ou menos a mesma altura da Ana Cláudia, fiquei me imaginando uns 25 quilos mais magro. Uma vareta, eu seria.
Tenho pena das mulheres. A cada ano, os estereótipos de beleza ficam mais radicais. Por pressão da sociedade, da mídia, das fábricas de roupa, da indústria de cosméticos, elas são pressionadas a cada vez serem mais magras, secas, esturricadas. Querem transformar as mulheres em nada mais do que cabides onde os estilistas penduram suas roupas amalucadas.
Mas, por sorte das brasileiras, bem dotadas de bunda, nada supera o teste da praia. Basta botar um biquíni e desfilar pela areia para ver quem chama mais atenção da plebe masculina: o legítimo produto nacional ou a (l)imitação européia.
