Mente Sadia: Guarda-chuva
Agosto 21, 2008 Nenhum comentárioComo forma de entretenimento, por vezes passo por canais da TV em busca de algo que me distancie do meu dia-a-dia. Contudo, o que ela me apresenta (a TV), com raras exceções, são programas de baixa qualidade.
Consciente do fato de que o que entra pelos olhos e ouvidos fica guardado dentro da gente, procuro fazer uma seleção qualitativa do que vejo e ouço. A menos que não queira só ver e ouvir descuidadamente, relaxadamente e sim com o senso crítico, aí vale tudo.
“Por acaso”, em uma dessas andanças pelos canais, vi que estavam exibindo imagens de uma tragédia – dentre tantas outras que há pelo mundo – que foi o incêndio do Edifício Joelma. Fato este que não foi presenciado na época por aqueles que têm hoje menos de 30 e poucos anos.
É isto mesmo, o fato ocorreu na década de 70 e gerou uma grande comoção. Hoje já suplantada por tantas outras tragédias que se sucederam, seja de âmbito nacional ou pessoal na vida das pessoas.
Dentre outras coisas, o que me chamou a atenção foi o relato de uma senhora, que na época tinha 20 e poucos anos e perdera um irmão no incidente.
Conta ela que o irmão sempre se despedia ao sair para o trabalho, mas naquele dia em especial, sabe-se lá o porquê, não o fez (premunição?). Tomou um guarda-chuva emprestado e foi para o trabalho.
A irmã veio a saber através de parentes e amigos que, na hora do incêndio, um grupo de pessoas estava descendo, e nele estava seu irmão, porém ele se lembrou do guarda-chuva (que não era dele) e voltou para buscá-lo, mesmo com o apelo dos colegas para que não fosse. Resultado: lá ficou com o guarda-chuva.
Fiquei pensando: quantas vezes nos detemos em nosso caminho, ou voltamos atrás, por conta do que naquele momento valorizamos mais do que realmente importa. Às vezes perdendo a nossa vida por nossa ignorância ou falta de discernimento.
Neste caso, seria uma obra do destino ou uma ingerência das próprias atitudes? Se há destino, deixe que ele faça a parte dele, mas nunca, nunca mesmo, deixe de fazer a sua, pro teu bem.
