Mente Sadia: Cláudio
Agosto 28, 2008 Nenhum comentárioCláudio é o nome fictício de um garoto de 10 anos, que, juntamente com um amigo, de 12, talvez, pede dinheiro, ou que paguem algo para comer.
São costumeiramente “convidados” a se retirar das proximidades dos comércios, que os atraem pela quantidade de ofertas de salgadinhos, refrigerantes, chocolates e possíveis “colaboradores”.
Pergunto a Cláudio: “Onde é que estão seus pais?” E comento: “Acho que eles é que deveriam estar cuidando de vocês. O que eles estão fazendo?”. Cláudio responde: “Estão em casa” (sussurra algo que não compreendo). “O quê? Não entendi!”. “Estão tomando cerveja”. Se é verdade ou não, não posso saber, mas acho bastante provável. Então digo: “Se vocês fossem meus filhos, acho que não iam gostar, não, porque eu não os deixaria assim pela rua. Ia estar preocupado com o que estão fazendo e com quem estão. Acho que seus pais deveriam cuidar mais de vocês, não acho legal isso, não”.
Os meninos ouvem, numa mistura aparente de que estão refletindo e ao mesmo tempo surpresos por alguém se importar com eles. Cláudio diz: “Eu também não acho legal, não”. Digo que é bom que pense assim, pois pode pensar em ir mudando a sua vida para melhor, e se tinha alguma coisa em mente para trabalhar no futuro. Ele diz querer ser veterinário.
De repente, o mais velho sai correndo e diz: “A polícia!”. Cláudio olha para trás e sai correndo também, desaparecem num instante. Realmente estacionaram duas viaturas próximas de onde estávamos, mas longe o suficiente para que eu não as tivesse visto. Porém, eles, meninos “de rua”, devem saber a malícia do jogo que eu desconheço. Não creio que o responsável pelo estabelecimento tivesse pedido a presença da polícia, até porque, pelo que pude observar, onde pararam, ficaram.
Aí, pensei: “O que será desses meninos e de tantos outros em situação semelhante?”.
Os pais, que representam a autoridade, a direção no encaminhamento da vida, se ausentam de suas responsabilidades e deixam seus filhos entregues à própria sorte. Por outro lado, a polícia, que tem o papel de proteger a população (se eu não estiver enganado), é percebida por estes garotos como ameaça, algo ruim que deve ser evitado.
Por ora, são só meninos, mas logo serão adolescentes e adultos, que provavelmente estarão devolvendo à sociedade o que hoje ela está lhes dando. Se se tornarem bandidos, eu contestarei, pois bandidos são aqueles que põem filhos no mundo e depois os abandonam, e a própria sociedade, que na infância os exclui, depois os julga e condena pelo que, com a conivência dela, se tornaram o que são.
