Francamente: Desculpe, ainda é a Olimpíada
Agosto 28, 2008 Nenhum comentárioDesculpe o leitor se volto ao assunto. Já se vai uma semana desde que a Olimpíada acabou, e nestes nossos tempos de informação vapt-vupt, isso parece uma eternidade. Mas os reflexos da campanha brasileira em Pequim, considerada apenas “razoável” pelo presidente Lula, ainda ecoam mesmo fora do âmbito esportivo. A ponto de congressistas sugerirem que o presidente do COB, o Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, seja convocado para dizer o que fez com a dinheirama pública inves-tida na preparação dos nossos atletas.
Afinal, nunca se gastou tanto nos esportes olímpicos brasileiros, seja via aporte direto do governo, seja via patrocínio de estatais. Mas isso não foi suficiente para nos tirar lá daquele blocão do meio no quadro de medalhas, onde ficam os países que têm meia dúzia de atletas de destaque, mas muito menos que o necessário para estar entre os top.
Fiquei pensando, durante a Olimpíada, de que adianta levar delegação tão numerosa, se 90% dela não têm qualquer chance de subir ao pódio. Para mim, caso exemplar foi o da nadadora brasileira, cujo nome não lembro, que fez o melhor tempo da sua vida, e nem assim chegou à final. O que ela estava fazendo lá então? Isso sem contar as muitas modalidades em que não temos a menor tradição, mas só nos classificamos porque nossos hermanos são ainda piores.
Alguns defendem que ir aos Jogos Olímpicos dá muita experiência aos atletas. E que no futuro… Mas o tal futuro nunca chega? Não é só por aqui, contudo, que a Olimpíada gerou polêmica. Os espanhóis reclamaram de ficar atrás das rivais França e Itália. Lá, já se fala em adotar o modelo americano, que defende que é melhor levar o maior número de atletas possível, ao contrário dos europeus, que preferem bancar somente os que realmente têm chances.
Por outro lado, nos Estados Unidos, as modalidades individuais decepcionaram, enquanto as coletivas foram bem. E houve quem ficasse contente com isso, pois vai contra a fama de individualistas demais dos norte-americanos. Sei lá, acho que tem gente que chora de barriga cheia. Duro mesmo é se contentar com três medalhinhas de ouro. E, até que me convençam, vou continuar achando que é melhor levar poucos e bons e investir nos esportes que dão muitas medalhas, como natação, atletismo, judô… Porque o futebol precisa de um monte de marmanjos, que jogam várias partidas, e no fim trazem só um bronze. Ficassem aqui!
