Francamente: Japonês, Prego e Pitanga
Janeiro 31, 2008 Nenhum comentárioJaponês, Prego e Pitanga. Não eram apenas um gentílico, uma haste de metal pontiaguda e uma fruta. Eram jogadores do XV de Piracicaba em remota época, segundo me contava meu saudoso pai. Mesmo com a memória um tanto abalada pela idade e pelos percalços da vida, até o fim de seus dias ele guardava escalações inteiras de equipes pelas quais torcia.
Enquanto desfiava os plantéis dos times, eu me deliciava com os apelidos estranhos, engraçados, criativos. Meu pai, ele próprio um esforçado lateral-direito amador, contava ser chamado de Professor pelos companheiros e torcida, nesse caso, mais que um pseudônimo, uma alusão à sua profissão. Tudo isso para dizer que a americanização e a recente moda de usar nomes pomposos nos jogadores estão tirando uma das características mais marcantes do futebol brasileiro.
Isso mesmo, o nosso futebol, de Pelé, Zico, Didi. De Viola, de Mineiro (que é gaúcho), de Dadá Maravilha. De Roberto Dinamite, de Beto Fuscão, de Dicá. De Tostão, de Biro-Biro, de Pepe. Nomes, de verdade, só quando eles próprios se justificavam pela imponência, como Leônidas ou Sócrates. Nomes e sobrenomes, então, só para quem desfilava uma elegância aristocrática em campo, casos de Domingos da Guia e de seu filho Ademir.
A recém-disputada Copa São Paulo de Juniores veio confirmar a desastrosa tendência dos nomes insossos. Para começar, claro, pelo goleiro, o Marília apresentou um Taigon. Isso lá é nome de jogador de futebol? Nessa linha, a Copinha também viu jogarem Wellington, Peterson e Ederson, entre outros tantos “Sei-Lá-O-Que-on”.
Também apareceu uma infinidade de jogadores com nomes compostos, caso, por exemplo, do Fernando Henrique, que pode cair bem para um presidente, mas não para um boleiro. An-tigamente, ele seria Nandinho ou Nandão, dependendo de sua compleição. Zaroio, Batata ou Pirulito seriam apelidos possíveis se o garoto apresentasse sinais físicos marcantes.
Fizeram figura ainda muitos juniores com nome e sobrenome, a exemplo de Renato Xavier, Bruno Andrade, Thales Magalhães e Rafael Martins, este um dos artilheiros da competição. Assim fica difícil. Imagine que esses caras virem craques, joguem no meu Timão e um dia eu queira dizer a escalação para o meu filho. “Olha, filho, o Corin-thians de 2010 jogava com Tai-gon, Fernando Henrique, Thales Magalhães…” Não vai ter graça.
