Francamente: E ninguém liga
Setembro 21, 2007 Nenhum comentárioO embaixador britânico para a área de mudanças climáticas, John Ashton, alertou em um recente seminário na Noruega que o aquecimento global deveria ser reavaliado como um problema de segurança, como uma guerra ou o terrorismo, para que se obtivesse uma ação mundial mais eficiente capaz de diminuir as emissões de gases do efeito estufa.
A conclusão dos cientistas é de que as pessoas não perceberam ainda os riscos envolvidos no fenômeno e nem parecem dispostas a adotar soluções fáceis, como economizar energia dentro de casa. Um relatório do painel da ONU sobre o clima divulgado neste ano afirmou que mesmo as medidas mais drásticas significariam um prejuízo, até 2030, de apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
Mas, segundo os especialistas, seria difícil convencer milhões de indivíduos a poupar no uso de energia ou incentivar as empresas a investir em novas tecnologias a fim de que se evite os danos de longo prazo provocados pelo aquecimento. Eles dizem que a forma mais barata de diminuir as emissões de gases do efeito estufa nas regiões de clima mais frio seria fazer com que todos diminuíssem a temperatura dentro das casas em 1 grau centígrado, usando blusas caso precisassem esquentar-se.
Pode-se fazer isso sem que haja diminuição no nível de conforto, argumentam. Os pesquisadores observaram que as pessoas costumam agir sem considerar as consequências de longo prazo de seus atos – muitos fumam cigarro ou comem excessivamente sem considerar o perigo de contraírem um câncer de pulmão ou de ficarem obesas.
Todas as observações acima formam um resumo de matéria publicada no site G1 sobre o tal seminário norueguês. Trocando em miúdos: todo mundo está preocupado com o aquecimento global e as outras formas de degradação do nosso planeta, mas pouca gente realmente toma atitudes para combater os problemas.
Se nos países frios ninguém quer abrir mão de manter a casa bem quente para não ter que usar blusas, aqui ninguém liga para economizar água, por exemplo. Estamos numa época de estiagem dura, uma das piores dos últimos tempos. E basta dar uma voltinha nas ruas para ver gente “lavando” a calçada enquanto bate aquele papo animado com a vizinha. A lei informal que vigora é: dane-se se vai faltar água num futuro próximo, o que importa é tirar o pó da minha calçada, nem que para isso tenha que mandar para o bueiro água tratada com cloro e flúor.
Pouca gente se dá ao trabalho de carregar o lixo até chegar a uma lixeira se é mais fácil jogar no chão. Ou de separar os materiais recicláveis. Raras empresas se preocupam em tratar seus esgotos antes de descartá-los. Lucro, preguiça, falta de conscientização, egoísmo. É tudo isso que dá as cartas no mundo hoje.
