Entrevista: por dentro do vestibular da Unicamp
Setembro 7, 2007 Nenhum comentário![]()
Leandro Tessler, coordenador do Vestibular da Unicamp
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) lançou no dia 13 de agosto o seu Vestibular 2008, mesma data em que aconteceu a abertura das inscrições. Como novidade, a universidade garante que esse processo seletivo será “mais leve” que os anteriores. Isso porque houve uma mudança no número de itens das questões. Apesar do número de questões continuar igual, 12 em cada prova, a Comvest, órgão que organiza os vestibulares da Unicamp, vai fixar o número de itens por questão em dois. Agora, serão 24 itens em todas as provas (primeira e segunda fases).
Além de um número definido, os candidatos passam a saber o valor exato de cada item: dois pontos. Desta maneira, cada questão passa a valer quatro pontos e cada prova passa a valer 48 pontos. A Comvest anunciou também uma mudança com relação à utilização da nota do Enem na primeira fase do Vestibular Unicamp. Passará a ser aceita a nota obtida no componente de Conhecimentos Gerais do Enem para compor a nota final da primeira fase apenas dos candidatos que não zeraram na Redação do exame.
O PLUG conversou com Leandro Tessler, coordenador do Vestibular da Unicamp, sobre essas mudanças.
Por que a Comvest optou pelas mudanças no Vestibular 2008, no que diz respeito principalmente à pontuação das questões?
Para tornar a prova menos trabalhosa e mais transparente para os candidatos, sem perder a capacidade avaliativa.
E em relação ao Enem, por que a obrigatoriedade de o candidato ter feito a redação do exame para poder usar sua nota no resultado do vestibular da Unicamp?
A Unicamp sempre valorizou a redação como parte de seu processo seletivo. O Enem é um exame nacional destinado a contribuir para a avaliação do sistema de ensino médio. Um candidato que deixa de fazer a redação para ter mais tempo para responder as questões está na verdade distorcendo os resultados.
A redação vale muito no vestibular da Unicamp, que além do mais valoriza bastante o entendimento das questões. Ou seja, é uma prova que privilegia a leitura. Essa visão da Comvest tem dado o resultado esperado?
Eu diria que sim. Estamos selecionando estudantes com excelente potencial para o ensino superior. Preferimos ter aqui um estudante com posicionamento crítico frente ao mundo e que saiba encontrar soluções do que bons decoradores de informações.
Alguns vestibulares vêm dando pesos maiores às questões das áreas mais afeitas ao curso que o candidato pretende fazer. Na Unicamp, independentemente se o candidato está prestando Humanidades, Exatas ou Biomédicas, todos fazem a mesma prova. Há perspectiva de se mudar isso?
Não. A Unicamp busca formar cidadãos que atuem em suas áreas. Não é uma boa idéia achar que os engenheiros não devam saber história, ou que os artistas não devam saber o que é código genético…
O programa de inclusão social da Unicamp não oferece cotas, mas sim bônus que beneficiam alunos oriundos de escolas públicas e candidatos autodeclarados negros, pardos ou indígenas. Esse modelo tem atingido os resultados planejados?
Sim. O objetivo era atrair para a Unicamp os melhores talentos das escolas públicas e aumentar a diversidade na universidade. Numericamente, queremos sempre ter entre os matriculados um percentual de egressos de escolas públicas ou autodeclarados pretos, pardos e indígenas semelhante ao dos inscritos.
A Unicamp tem lançado mão da tecnologia para auxiliar os candidatos em seu vestibular. Um exemplo disso é a disponibilização de podcasts com informações sobre o processo seletivo. Para este ano, estão previstas outras novidades desse tipo?
Na medida do necessário, vamos buscar novas formas de divulgação da Unicamp, da Comvest e do Vestibular Nacional.
Quando este modelo de vestibular foi implantado na Unicamp, eram pouco mais de 10 mil candidatos. Hoje são cerca de 50 mil. Devido a isso, há planos para novas mudanças?
O Vestibular está sempre em mudanças. O aumento no número de inscritos é um tema que nos preocupa. Não podemos ser vítimas do nosso sucesso.
Quais as recomendações para os candidatos se saírem bem no vestibular da Unicamp?
Exercitem ao máximo sua capacidade de ler, pensar e redigir textos claros. Conheçam o mundo em que vivem, busquem entender os grandes temas da atualidade e tomar posições frente a eles.
Inscrições vão até o dia 21
As inscrições para o Vestibular 2008 da Unicamp serão aceitas até dia 21 de setembro, por meio do formulário que estará disponível na página da Comvest na internet: www.comvest.unicamp.br. A taxa de inscrição é de R$ 105,00. O Kit do Vestibulando 2008 (Manual do Candidato e Revista do Vestibulando) está disponível exclusivamente no site da Comvest e é gratuito. Nele, os candidatos encontram informações sobre o processo de inscrição, as provas, os critérios de classificação e os cursos oferecidos.
A primeira fase do Vestibular Unicamp 2008 acontece no dia 18 de novembro, com uma prova que inclui a Redação e 12 questões gerais de natureza discursiva: Matemática, Física, Química, Biologia, História e Geografia.
A segunda fase será realizada de 13 a 16 de janeiro, com oito provas dissertativas das disciplinas obrigatórias do núcleo comum do ensino médio: Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa, Ciências Biológicas; Química, História; Física, Geografia; Matemática e Inglês. As provas de aptidão, para os cursos que as exigem, acontecem em Campinas e Piracicaba, entre os dias 21 e 24 de janeiro. A Comvest divulgará a primeira lista de aprovados para matrícula no dia 7 de fevereiro. A matrícula destes convocados acontece em 12 de fevereiro.
As provas do Vestibular 2008 serão realizadas simultaneamente em 25 cidades do Brasil: Campinas, Bauru, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Jundiaí, Limeira, Mogi Guaçu, Piracicaba, Porto Alegre, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André, Salvador, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Sumaré e Valinhos.
Vestibular terá 50 mil inscritos
A Unicamp espera que cerca de 50 mil candidatos se inscrevam em seu Vestibular 2008. É um número cinco vezes maior que o registrado quando a universidade decidiu ter seu próprio exame seletivo, já que até 1986 a seleção de alunos para os cursos de graduação era feita através do vestibular da Fuvest. Após estudos realizados por uma comissão especial encarregada de repensar o modo como ocorria essa seleção, a Unicamp realizou seu primeiro vestibular próprio em 1987.
O objetivo era introduzir modificações graduais na forma e conteúdo do vestibular para selecionar os candidatos mais adequados ao perfil dos estudantes desejados pelos cursos de graduação da Unicamp, além de interagir com o ensino médio.
Para o educador Rubem Alves na época, então assessor especial para assuntos de ensino da Reitoria da Unicamp, os vestibulares tendiam a discriminar negativamente as classes menos favorecidas, tornando o seu acesso ao estudo universitário mais difícil. Isso, dizia ele, incidia de forma indesejável sobre os ensinos fundamental e médio.
A conclusão dos trabalhos da comissão especial levou a Unicamp a assumir, através da Comvest, a responsabilidade de, desde então, realizar um vestibular próprio.
