Mente Sadia: estilingue e vidraça
Maio 25, 2007 Nenhum comentárioA relação entre estilingue e vidraça – hoje menos, mas já bastante usada se referindo às questões políticas – de certa forma ilustra bem o que quero dizer. A começar pelo governo atual (Lula).
Antes de se tornar governo, o PT era amado pelos petistas, de tal forma (próprio de quem ama) que em nome do objeto amado (PT) cometiam loucuras, a ponto de serem considerados badernei-ros. Insipientes no início, não ofereciam ameaça aos partidos consolidados. Mais tarde, um pouco mais fortalecidos, representavam o Coisa Ruim, que se assumissem o governo, transformariam a vida das pessoas em um inferno. Hoje, colhem o que plantaram, onde atiraram pedras indevidamente, ou inadequadamente, vêem-se tendo que consertar as vidraças despeda-çadas. No que tinham razão, adquiriram credibilidade e respeito, consolidando-se numa espécie de surpreendedores na capacidade de lidar com conflitos (dentro e fora do partido), minimizando o jeito hostil de lidar com o diferente.
Diferente também do comportamento entendido pela igreja católica como adequado, as outras religiões passam a ser vidraças de um povo que exterioriza, em partes, a visão de seus líderes, sendo estilingues em dado momento, noutro, vidraça, porém cumprindo seu papel, que só o tempo será capaz de julgar o que fizera e faz.
Hoje, mais maduro, procuro compreender mais do que julgar, deixando essa tarefa para os promotores e juízes. Procuro ver mais o contexto do que o texto e, assim, minha visão de mundo tem se modificado (acredito: para melhor).
Dia desses, assistindo a um programa de TV, sem muita importância, resolvi passar por outros canais em busca de algo mais interessante. Foi quando me deparei com cenas da África, as quais sempre me paralisam (o porquê ainda não sei muito), porém, a condição de miséria daquele povo me comove e me faz pensar: por que tem que ser assim?
A matéria mostrava o “modus vivendis” daquele povo, numa região bastante pobre, em que falta o necessário. Eis que haviam tido a oportunidade de trabalharem numa construção SUNTUOSA, a qual causava contraste enorme entre riqueza e pobreza.
Trata-se da obra de construção de mais uma Igreja Universal, que a seu jeito também faz seu papel.
Segue a matéria e eu atônito pensando: o que este homem (Edir Macedo) pretende construindo uma obra faraônica, luxuosa em meio a tanta pobreza, quando sabemos que alia dinheiro a fé com uma sabedoria espetacular?
Chegou o dia da inauguração, milhares de pessoas dentro da igreja, telões externos para os demais acompanharem o evento. Tudo muito alegre, misturando e, por que não dizer?, respeitando os ritmos afro, numa grande festa, com todas as pompas e a beleza de um lugar naquele momento freqüentado por pessoas que, com certeza, até então nunca tinham pisado ou estado tão próximas ao bonito, belo, rico…
Em dado momento, algo está sendo distribuído para os “visitantes” e não era um produto da Igreja visando lucro. Eram preservativos. Estranho, não?! Dentro de uma igreja?
Quando o bispo foi questionado sobre tal procedimento, a explicação foi bastante sensata: “Embora a igreja entenda que o sexo deva ser feito no casamento, sabemos que o fazem fora, então, que ao menos façam com segurança”. É isso, um país pobre, assolado pela Aids, que dizima milhares de pessoas, deixando “órfãos” mulheres, maridos e crianças, não pode ser tratado com ideologias, e sim com práticas sociais que ajudam a minimizar os problemas. Bem como pela fé possa ser plantada a semente da auto-estima, estimulando o desejo de serem melhores.
