Mente Sadia: dor da partida

Maio 5, 2007 Nenhum comentário

Cada um lida de forma diferente com a separação. Há os que sofrem desmedidamente e os que não manifestam nenhum sinal de sua dor, mas todos sofrem.
Outras dores também podem acompanhar aqueles que por medo da solidão se mantêm agarrados ao outro, mesmo conscientes de que o amor chegou ao fim.
Pior é quando o outro arranja um novo amor e decide ir ao encontro deste. Neste caso, traduz-se a dor de ver-se deixado só, na plataforma da estação, enquanto ele parte.
“A dor de quem fica é sempre muito maior. Parece-se com a dor após o sepultamento, quando se volta para a casa e o espaço se preenche com a presença de uma ausência”.
Na verdade, a dor da partida é maior que a dor da morte. Pois o morto se foi contra a vontade. Partiu me amando. Partiu triste por me deixar. Nenhuma alegria o espera.
Por isso, os pensamentos de quem ficou descansam tranqüilos, sem serem perturbados por fantasias dos novos amores e prazeres à espera do que morreu. Pois nada o aguarda.
“A morte pode ser a eterni-zação do amor”.
Duro, duro mesmo é quando o outro se vai e continua dentro da gente, causando, por vezes, uma dor insuportável, quando não tivemos como aliada a morte, e podemos ver ou imaginar que outra pessoa pode ser objeto de seu amor, pode fazer-lhe feliz, o que já não podemos mais.
Resta agora aliar-se ao tempo e cuidar para não alimentar uma realidade paralela de que tudo vai ser como era antes.
Uma vez quebrado o vaso da paixão, ele nunca mais será o mesmo.
Porém, como disse Pascal: “O coração tem Razões que a própria Razão desconhece”.
E se elaborarmos o luto pela perda, seja pela partida do outro rumo a uma nova vida ou para a própria morte, logo haverá terreno fértil para germinarem as condições necessárias para um novo amor.
Pois os nutrientes do amor não estão no outro, eles habitam dentro de nós.
Elegemos este ou aquele para ser merecedor de nossos investimentos afetivos, cujos olhos refletirão ou não a aceitação de nosso amor.
Quando amamos, amamos, não há lógica nisto. O amor antecede o ser amado.
“Meu amor independe do que me fazes, não cresce do que me dás”.
Meu amor é meu e, por vezes, me faz pensar: “O que é que amo quando te amo?”. 

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