Mente Sadia: prós e contras do carnaval
Fevereiro 23, 2007 Nenhum comentárioExistem várias opiniões sobre a maior festa popular do País: o carnaval. Há os que amam, odeiam, são indiferentes e provavelmente os que desconhecem.
Como gosto é algo particular, não vou entrar nessa questão. Embora críticos desta festa popular que aproxima ricos e pobres, marcas e consumidores, costumem argumentar que o carnaval é responsável pelo consumo de drogas, relações sexuais irresponsáveis, violência…
Por isso, é tido como criação do “Demo”, cujo objetivo principal é desvirtuar as pessoas de bem. Na verdade, o que se observa é que quem é do bem é do bem, independentemente de apreciar ou participar ativamente do carnaval.
Quem já tem suas tendências para o mal, pode até encontrar nesses dias maiores oportunidades de pôr para fora aquilo que já carrega dentro de si.
Uso e abuso de drogas, sexo irresponsável, violência não são exclusividade desse período, ocorrem o ano todo, e, diga-se de passagem, independentemente do nível sócio-econômico-cultural.
Então não se faz nada? Há sim que se fazer mudanças, cada vez mais urgentes. Para tanto, o diagnóstico deve ser amplo, considerando a história do País e de seu povo, deixando de criar e recriar bodes-expiatórios que explicam, mas não justificam os males.
Vamos começar pelo respeito ao próximo e fortalecimento das instituições que, de fato, tenham compromisso social, embasados em atitudes Éticas e Responsáveis.
No “carnaval” do ano todo, temos assistido constantemente passar os blocos dos aliciadores e usuários de drogas; dos sem estrutura familiar e social; dos marginalizados do sistema; dos que possuem poder para mudar, mas fingem nada ver; dos que pouco se importam com a desgraça alheia; dos justiceiros que seguem a lei de Talião (olho por olho, dente por dente); dos palhaços traves-tidos de alegrias, mas carregados de tristeza; de mães, intermediárias de Deus, que abortam filhos nas mais diferentes idades; de crianças e adolescentes abandonados pela família e pelos órgãos que deveriam protegê-los…
Embora discorde de muitas atitudes do então presidente da República, tenho que admitir o quanto foi assertivo em considerar a responsabilidade do Estado nessas mazelas sociais.
Em seu pronunciamento quanto à diminuição da maioridade penal, fez um gesto que demonstra ser conhecedor dos problemas do País, chamando para si (governo) a responsabilidade. Portanto, soluções passam pela esfera do governo, justiça, educação, cultura, lazer, esportes, saúde física e mental.
Quanto ao carnaval, tirando o lamentável atraso, falta de transporte coletivo, desrespeito às pessoas pela desorganização ocorrida em Limeira, este deve continuar, corrigindo, é lógico, os erros e incentivando a participação (organizada) popular.
É preferível juntar a “moçada” para discutir temas, fantasias…, estimulando a convivência grupal, trabalhando a inclusão, do que ter uma sociedade fragmentando-se, com objetivos díspares que eclo-dem no atual quadro que vemos.
O que vi no carnaval?
Salvo alguns incidentes – e aí falo do carnaval pelo país afora – foi alegria, beleza, criativi-dade, empenho, motivação, garra, vontade, ânimo, qualidade, inclusão…
Ingredientes estes que são necessários para alavancar um povo pobre, de um país riquíssimo.
