Mente Sadia: Reencontro

Janeiro 1, 1970 Nenhum comentário

Algumas semanas atrás, escrevi sobre um caso de tentativa de “ganhar” dinheiro através da mentira. Se você leu, vai se lembrar de um rapaz “guardador de carros”, que ficou nervoso frente à recusa em lhe pagar por ter “salvado” meu carro de um furto (inventado).

Na ocasião, dissera que queria dinheiro para beber – nisso tinha um tanto de verdade, pois cheirava à bebida. Dia desses, passando por uma rua do Centro, o avistei. Aproximei-me e o chamei pelo nome. Demonstrou ter sido tomado de susto, ao que contornei dizendo ser aquele cara que ele brigou próximo a (…. ).

Ele comenta: “Ah, por causa da que…”. Antes que terminasse, interrompi para dizer que não era por aquele motivo que ele iria se referir, e sim por ter ficado irado quando não lhe quis dar dinheiro e o flagrei na mentira. Nesse momento, ficou inerte. Continuei: “Você disse naquele dia que queria dinheiro para beber; hoje, acho que era para mais que isso, pois o vejo mais magro, e bebida não emagrece assim rapidamente, você deve estar usando outras drogas”.

Diz ele: “É, meu, também, do jeito que eu tô vivendo por aí, você quer o quê?”. “Quero que você pense sobre isso! No porquê de estar se pondo nessa situação. Se você se desrespeita e age como pedinte, como mendigo por aí, como é que você quer que os outros te tratem? Vo-cê me parece um cara inteligente, capaz de mudar essa história, por mais difícil que possa parecer. E, naquele dia, era isso que eu estava tentando te dizer”.

Nesse momento, diz que está buscando uma internação, já fez contato com uma pessoa que ficou de arranjar uma vaga, ficou de voltar lá para ver se arrumou. Digo que estou disposto a ajudá-lo, mas não dando dinheiro, porque isso não faço.

V. consentiu com a cabeça, agradeceu vindo dar-me a mão e se despediu me chamando de amigão.
O comportamento do aperto de mãos, incorporado na nossa cultura, parece ter suas raízes na demonstração de estar de mãos limpas, isto é, desarmado. Foi exatamente esse sentimento que tive naquele momento, e se confirmou ao reconhecer-me como “amigão”.

Nas ruas, existem pessoas mentalmente doentes, pobres, sacanas, ardilosas etc., porém há também uma leva de desassis-tidos, perdidos em suas próprias confusões, tratados com desdém, arrebatados pelas forças involutivas, que se apropriam de situações e pessoas, para fazer valer a miséria humana, jogando na nossa cara o quanto esta raça é vulnerável, falível, manipulável.

Diante disso, cabe a nós nos conscientizar do nosso papel social, cobrar atitudes de quem está investido do poder e fazer a nossa parte, ajudando esses nossos irmãos menores.

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