Mente Sadia: Apagão
Janeiro 1, 1970 Nenhum comentárioApagão: apelido dado ao fato de termos tido interrupções no fornecimento de energia, atingindo uma grande área. Isso já acontecera no passado, e novamente, mais recentemente, em grande parte do país, e também em nosso vizinho Paraguai.
Pegando carona nesse assunto, quero ressaltar pelo menos três aspectos interessantes em que o ocorrido me fez pensar: os sinais, a falta de tempo e “nossos apagões”. Pela manhã, na noite do apagão, fui pegar uma caixa de fósforos que costumo deixar em cima de um pilar; lá não estava. Sem saber o porquê, estranhei o “desaparecimento”. Após procurar nas imediações, encontrei-a a mais de um metro de onde poderia ter caído; estava aberta e tinha fósforos espalhados por todo lado. “Estranho, não?”, pensei.
Fiz o que tinha me proposto a fazer e fui para o consultório. No decorrer dos atendimentos, em particular um deles, conversamos sobre iluminações e geradores de energia à diesel.
Após os atendimentos, voltei para o local do “sumiço” dos fósforos, e lá estavam eles novamente no chão, sem uma explicação plausível. Eis que as lâmpadas começam a piscar, dando sinais de uma possível interrupção. Mas logo se restabeleceram e ficaram acesas normalmente. Voltando para casa, observo que grande parte da cidade está no escuro. Penso: será que em casa também não tem energia?
Chegando em casa, realmente não tinha, e eu tive que improvisar recursos para abrir o portão eletrônico, achar o buraco da fechadura, andar pela ca-sa no escuro, tomar banho etc.
Hoje penso: o que eram aqueles fósforos jogados à minha frente desde manhã? Não seriam eles sinais de que eu deveria ter uma caixa comigo em caso de emergência? E as luzes piscando, não seriam mais um sinal de que algo ocorrera e eu deveria me prevenir?
Se não bastassem os fatos acima citados, teve a conversa com meu paciente em que se falava sobre iluminação insuficiente e a necessidade de geradores. Seria mais um sinal ou meras coincidências? Tenho dito que sou da opinião de que nada é por acaso. Sendo assim, me parece que esta vida “sem tempo” que levamos nos distancia de nossas percepções, dos sinais, das experiências subjetivas, nos acelerando para dar conta de uma porção de coisas que, ao final, temos a impressão de que algo ficou para trás.
Por vezes, vamos atropelando a nós mesmos a ponto de termos “nossos apagões”, nos esquecendo das coisas, tendo “falhas” na memória, sejam provenientes da “geração de energia ou retransmissão das mesmas”.
Se quisermos ter uma vida mais saudável, temos que investir no nosso sistema, senão teremos que conviver com os apagões.
